Orizicultura “irresponsável’’ é denunciada pela Assemae-RS

Brasília, 19/3/2004 – O risco de abastecimento de água em que vivem quase um milhão de habitantes do Rio Grande do Sul é causado pela “orizicultura irresponsável” segundo o presidente regional da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae) e presidente da Companhia Municipal de Saneamento de Novo Hamburgo (Comusa), Silvio Klein, em reunião do conselho diretor da entidade que reúne representantes de 900 municípios brasileiros com sistema de abastecimento de água e saneamento municipalizados.

As lavouras de arroz que se estendem desde os municípios de Santo Antônio da Patrulha até a região de Taquara estão acabando com a mata ciliar, de acordo com Klein e “absorvendo a água que abastece a população, sem controle e de forma irresponsável com o meio ambiente, pois os agricultores estão construindo barragens e desviando o curso das águas, de acordo com a vontade de cada um sem avaliação ambiental”.

O presidente da Assemae para o Rio Grande do Sul denunciou ainda que as lavouras consomem uma vez e meia o volume de água do Rio do Sinos que é necessária para o abastecimento da região, antes que ela chegue à população e o Rio já mostrou que não resiste a essa demanda desorganizada e predadora que já começa a mostrar impacto na Bacia do Lago Guaíba.

A falta de financiamento para expansão e realização de projetos na área de saneamento básico é um dos maiores problemas do setor e a Assemae pretende buscar recursos para investimentos junto à Caixa Econômica Federal e o BNDES. Um dos temas que os integrantes da Assemae estão acompanhando com detalhamento é o Projeto de Parcerias Público-Privadas que acaba de ser aprovado na Câmara dos Deputados esta semana e, agora, vai para apreciação do Senado Federal. Segundo Klein, o PPP poderá gerar novas oportunidades para as companhias de abastecimento de água e saneamento.

Fonte: Assemae – Comusa

Aesbe cobra participação

O presidente da Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais (Aesbe), Vitor Fernando Bertini está cobrando do governo federal uma maior participação da entidade – que representa cerca de 70% do atendimento de água e esgoto no país – no debate sobre as propostas das novas legislações para o setor.

Em audiência no último dia 23, com o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, José Tavares, o presidente da Aesbe reclamou da falta de diálogo com o setor na elaboração das propostas de legislação feitas pelo Ministério das Cidades. Conforme a informação transmitida por Tavares os anteprojetos se encontram na Casa Civil para exame jurídico devendo depois seguir para o Congresso onde poderá haver o debate com o setor.

Segundo o assessor da Aesbe, Marcos Thadeu Abicalil, a entidade já está fortalecendo a mobilização através de todos os Estados e também junto a parlamentares para que os interlocutores que representam o setor possam debater detalhadamente os projetos. Segundo ele o presidente Vitor Bertini enfatizou na audiência que até agora nem a Aesbe e nenhuma das entidades representativas do Saneamento tiveram acesso aos documentos que detalham as propostas do Ministério da Cidade.

Atlas mostra impacto do saneamento

O Atlas de Saneamento , lançado pelo o IBGE no último dia 22/03, revela, em mapas, a difusão espacial das redes de saneamento do território brasileiro e, pela primeira vez, interpreta os dados a partir das bacias hidrográficas, unidades territoriais estratégicas de gestão ambiental, conforme determina a Lei Federal dos Recursos Hídricos (Lei 9.433 de 1997).

O levantamento mostra que o esgoto sanitário é uma das principais fontes de poluição dos mananciais. O Atlas de Saneamento apresenta os mapas organizados em seis temas: distribuição espacial e nível de abrangência das redes de saneamento; qualidade e eficiência das redes de saneamento; saneamento e meio ambiente; gestão dos serviços de saneamento; saneamento básico segundo bacia hidrográfica; e acesso às redes de água e esgoto no espaço intraurbano (Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Belém e Porto Alegre).

Água e crescimento

O acesso deficiente a serviços adequados de água potável e saneamento está associado com o crescimento limitado em crianças, segundo uma pesquisa realizada entre 230 crianças de uma comunidade de escassos recursos econômicos em Lima, Peru. As crianças que tinham um limitado acesso à água potável (sem água encanada ou com armazenamento não seguro) e esgoto eram um centímetro menores e tinham 54% mais episódios de diarréia do que as crianças que cresceram em condições sanitárias melhores.

Pesquisas já concluídas demonstram que as crianças que apresentam dificuldades de desenvolvimento durante a infância ficam abaixo da altura normal e quando adultos e tendem a apresentar resultados deficientes em teste de inteligência em anos posteriores.

Divulgado por Rodrigo Galvis C. rogalvis@univalle.edu.co

Cinara Instituto de Investigación y Desarrollo en Água Potable, Saneamiento Basico y Conservación del Recurso Hidrico. Universidad del Valle. – Cali – Colombia – Sur América

Atlas do saneamento II

A análise por bacia hidrográfica permite avaliar, de forma integrada, o impacto das ações humanas sobre o ambiente e seus desdobramentos sobre a qualidade dos mananciais. Um dos principais agentes poluidores dos mananciais é o esgoto sanitário, mas algumas bacias hidrográficas apresentam poluição na captação superficial de água relacionada com as atividades econômicas em destaque nos respectivos territórios.

Na Bacia Amazônica, por exemplo, a atividade mineradora é importante fonte poluidora, mas os mananciais também são afetados pela precariedade da rede de esgotamento sanitário na região, onde apenas 7% dos distritos-sede de municípios coletam e tratam o esgoto. Nas bacias costeiras do Sul e do Sudeste os despejos industriais têm maior participação relativa, ainda que a principal fonte poluidora das bacias do Sudeste seja o esgoto sanitário.

Fonte: IBGE – www.ibge.gov.br

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