Mapa subaquático adverte contra crimes costeiros

Manatis e dugongos (peixe-boi) – que acreditávamos ser a fonte das antigas lendas sobre sereias entre os navegantes – enfrentam um futuro incerto à medida que vão se deteriorando as pradarias subaquáticas do mundo.

Essa foi a advertência feita pelos conservacionistas durante o lançamento do primeiro Atlas Mundial de Algas, no Museu Marítimo Nacional de Londres. Embora a notícia não consiga de imediato chegar a níveis muito altos em nossa escala de preocupações, ela envolve implicações mais amplas do que a simples ameaça a essas “vacas marinhas” de aspecto esquisito, hoje transformadas em atração turística.

E isso porque milhares de espécies de plantas e animais muito menores, inclusive tartarugas verdes, dependem das 60 variedades de algas subaquáticas que formam um ecossistema marinho exclusivo de proteção a pesqueiros e corais, e que ajudam na prevenção da erosão costeira. As algas variam desde lâminas em forma de cinta, com quatro metros de comprimento, como as do capim de enguia do Mar do Japão, até folhas com apenas dois centímetros, como as das videiras do mar nas águas tropicais profundas do Brasil.

Embora a ameaça aos recifes de coral seja amplamente conhecida, a perda continuada de algas – estimada em 15% na última década – tem deixado de atrair a atenção do público por terem sido destruídas pelos efeitos colaterais de construções nas zonas costeiras, tráfego de embarcações, dragagem e por projetos de recuperação de terras.

O Atlas Mundial de Algas levou seis anos para ser compilado, através de um trabalho desenvolvido por 56 autores e baseado em dados recebidos de 120 países. Trata-se de uma iniciativa do Centro Mundial de Monitoramento da Conservação, de Cambridge, Inglaterra – o braço de biodiversidade do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP-WCMC) e coincidiu com o lançamento da Proteus, uma nova e importante estratégia de expansão e coordenação de informações ambientais para serem acessadas de um site da Web.

Em sua fala, durante o lançamento do Atlas – que recebeu o apoio financeiro para sua compilação (25.000 libras) do governo britânico – o Ministro do Meio Ambiente, Elliot Morley, explicou que muitas espécies sempre dependeram das algas durante todo o seu ciclo de vida ou em parte dele e, se elas não fossem preservadas, áreas importantes de desova dos peixes seriam perdidas.

O Atlas representa um auxílio indispensável para pessoas com poder decisório e ajudará a atingir os objetivos de redução da perda de biodiversidade aprovada pelos líderes políticos mundiais na Reunião Mundial de Cúpula sobre Desenvolvimento Sustentável de Johannesburg, em 2003.

Mark Collins, diretor do UNEP-WCMC, explicou que o Atlas fornece a primeira estimativa global de algas em todo o mundo: cerca de 177.000 quilômetros quadrados. Esses leitos e pradarias têm sido desnecessariamente destruídos em troca de lucros de curto prazo, a despeito do valor que um ecossistema intacto, como aquele por eles defendido, traria para as sociedades costeiras, por meio da proteção contra o impacto erosivo de ondas e marés, do habitat de peixes, mariscos e de ícones do ecoturismo como os manatis, dugongos e a tartaruga verde.

Caroline Ochieng é uma queniana de 33 anos nascida em Mombasa e formada pela Universidade de Egerton, em Nakuru e pela Faculdade Wye da Universidade de Londres, em Kent, Inglaterra, que contribuiu para um capítulo sobre implicações turísticas. Ela salientou que a proposta da indústria hoteleira da costa leste africana, de que folhas mortas de algas fossem removidas em larga escala das praias de areias brancas freqüentadas por banhistas e pelos que gostam de se bronzear, iria acelerar a erosão das praias e danificar as pradarias de algas de que tanto dependem os pesqueiros e o turismo. À medida que as folhas vão morrendo e se decompondo na praia, nutrientes vão sendo liberados nas pradarias beneficiando as criaturas que se alimentam desse material morto, as quais constituem importante alimento para os peixes.

Uma equipe da Universidade Kasetsart na Tailândia relatou, em sua contribuição, a forma pela qual o peixe-boi se tornou um tesouro nacional em seu país – desde que levantamentos aéreos recentes revelaram o local de ocorrência dos animais – e de como os pescadores tinham sido convencidos a mudar suas técnicas, resultando em um aumento da área dos leitos de algas e o conseqüente crescimento de suas receitas geradas pelo maior volume de peixes capturados.

O Atlas descreve também o Sea-Grass Watch, uma organização que monitora as mudanças mais importantes, capazes de afetar a abundância, distribuição e composição de espécies em 150 locais da Austrália. A conclusão é de que as pradarias poderão até mesmo se recuperar em três anos de uma perda aguda, se forem tomadas medidas efetivas de gerenciamento.

No momento, já estão sendo disponibilizadas informações sobre 100.000 áreas protegidas, por meio do website www.unep-wcmc.org. Acordos de natureza semelhante estão sendo buscados com importantes provedores de dados sobre os ambientes mundiais de espécies, água doce, florestais e marinhos.

No mundo em desenvolvimento, o UNEP-WCMC vem identificando os principais indicadores de biodiversidade para florestas, pantanais, áreas litorâneas e pastagens por meio de parcerias com governos e ONGs no Equador, Quênia, Filipinas e na Ucrânia.

Muhammad Akhlas, que recebeu uma Bolsa de Estudos Chevening de um ano sobre Biodiversidade, parcialmente financiada pelo Foreign & Commonwealth Office, integra a equipe do Proteus em Cambridge, que atualmente aborda organizações governamentais, o setor privado, ONGs e cientistas, para promover o compartilhamento de dados e compilar um banco de dados mais amplo sobre biodiversidade.

As bolsas de estudo sobre biodiversidade, atualmente em seu segundo ano de vida, proporcionam a formandos talentosos e a jovens profissionais que já estejam atuando em empregos remunerados, a oportunidade de passar algum tempo no Reino Unido para adquirir qualificações que possam ser de utilidade em seus países de origem.

O papel de Muhammad Akhlas em sua bolsa de estudos será de compilar dados sobre a biodiversidade no Paquistão e auxiliar no processo de geração de um banco de dados para análise e interpretação.

Akhlas, cuja cidade natal é Abbottabad, no norte do Paquistão, acredita na vital importância da iniciativa do Proteus, pela falta de coordenação entre pesquisadores, instituições e pessoas que estabelecem políticas, os quais estariam melhor servidos por um banco de dados centralizado. Vindo de uma área montanhosa do Paquistão, ele havia testemunhado os efeitos que a devastação de florestas e o uso inadequado do solo causara nos nativos, totalmente dependentes de recursos naturais para sua sobrevivência.

Fonte: London Press Service

Mais informações:

Contato: Will Rogowski, Head of Marketing

United Nations Environment Programme – World Conservation Monitoring Centre, 219 Huntingdon Road, Cambridge, United Kingdom, CB3 ODL

E-mail: will.rogowski@unep-wcmc.org

Web: www.unep-wcmc.org

Águas mais seguras

Tráfego de embarcações, dragagem e projetos de recuperação de terras contribuíram para uma grave perda de algas, das quais dependem milhares de espécies de plantas e animais, inclusive essa tartaruga verde. As algas formam um ecossistema exclusivo que protege pesqueiros e corais, ajudando a evitar a erosão costeira. O Atlas Mundial de Algas foi lançado para tentar reduzir essa destruição.

Em um trabalho independente, recentemente desenvolvido, o UNEP-WCMC lançou um programa de cinco anos – denominado Proteus – orçado em cinco milhões de libras em parceria com o setor privado, a fim de expandir enormemente o volume de informações sobre biodiversidade e conservação a ser colocado à disposição de todos os interessados.

A Anglo-American, a BP, a Rio Tinto e a Fundação do Grupo Vodaphone estão entre as empresas líderes que coletivamente empenharam 1,2 milhões de libras para que seja dado o pontapé inicial da iniciativa Proteus.

Mark Collins, diretor do UNEP-WCMC, disse que o objetivo é fazer com que os dados mantidos em vários formatos pelo setor privado, organizações não governamentais (ONGs) e acadêmicas do mundo todo se tornem disponíveis de forma gratuita e durante 24 horas por dia, por meio de links para o site do WCMC, que atualmente recebe 380.000 visitantes profissionais por mês.

Ele citou um exemplo do papel do Proteus, o acordo recentemente celebrado, na esteira da Conferência Mundial de Parques, em Durban, com as principais organizações de conservação ambiental, para construção de uma fonte inigualável de informações sobre áreas protegidas.

Ecoturismo

As Faculdades Integradas Curitiba estão lançando o curso de pós-graduação em Ecoturismo. Com 360 horas de carga horária, o programa tem o objetivo de propiciar conhecimento técnico dos aspectos legais, sócio-culturais, ambientais e empresariais que regem a atividade, além de desenvolver habilidades específicas para a gestão de projetos na área.

O inicio das aulas será no dia 2 de abril e as inscrições podem ser feitas até o dia 16 de março pelo site www.faculdadescuritiba.com.br. Mais informações sobre o curso através do telefone 0800418887.

Jornada científica

A Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul e a Fepam promovem, de 26 a 28 de abril, na área do Jardim Botânico de Porto Alegre, a I Jornada de Iniciação Científica – Meio Ambiente. O evento tem como objetivo divulgar e valorizar as atividades da pesquisa desenvolvidas pelos acadêmicos, oportunizando uma integração e troca de informações entre as instituições, e acompanhamento e avaliação dos trabalhos dos bolsistas da Fapergs e CNPq.

O evento é aberto aos bolsistas de iniciação científica ou estudantes de graduação em atividade nos Centro de Pesquisa do Estado e de Instituições de Ensino Superior. Os trabalhos inscritos serão distribuídos em sessões temáticas, nas seguintes subáreas: ecologia, botânica, zoologia, genética, ecotoxicologia, paleontologia, geologia, geoquímica, química ambiental, engenharia ambiental, educação ambiental e saúde ambiental.

A inscrições já estão abertas, e poderão ser feitas, através de formulário eletrônico, até o dia 22 de março, pelo endereço http:/fepam.rs.gov.br/jornada. A taxa para apresentação de trabalho é de R$ 10,00 para bolsistas da Fepam e FZB e de R$ 20,00 para estudantes de outras instituições. Mais informações: jornada@fepam.rs.gov.br e

jornada@fzbrs.gov.br

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