
Gland, Suíça – Segundo um novo informe do Fundo Mundial para a Natureza
(WWF em inglês), anualmente poderiam estar sob risco bens e serviços avaliados em US $70 bilhões em recursos provenientes da água doce, se os governos não conseguirem gerenciar suas áreas úmidas de maneira sustentável.
O informe “The Economic Values of the World`s Wetlands” (O valor
econômico das áreas úmidas do mundo) representa a primeira visão global do valor econômico dessas áreas no mundo. Analisa os 89 estudos de
valoração existentes usando uma base de dados que cobre uma extensão de
áreas úmidas de 630 mil quilômetros quadrados, situando o valor anual na “conservadora” cifra de US $3,4 milhões. Ampliando esta cifra a partir da estimativa de área coberta por áreas úmidas no mundo de 12,8 milhões de quilômetros quadrados feita pela Convenção Ramsar, o informe do WWF conclui que o valor anual das áreas úmidas no mundo é de US $70 bilhões.
O WWF mostra com o informe que a diversão e a recreação, o controle de
inundações, a pesca esportiva e a filtração de águas são as funções mais valiosas das áreas úmidas. Apesar de que o total de áreas úmidas da Ásia analisadas no informe representa menos da metade da extensão das da América do Norte aquelas possuem um valor econômico três vezes superior às da América do Norte. Isto se deve a uma maior densidade de população, o que implica uma alta demanda dos bens e serviços das áreas úmidas.
Entretanto, o informe assinala que anualmente são gastos bilhões de dólares na utilização de áreas úmidas para irrigação, agricultura e outros usos, com vistas a obter benefícios econômicos de curto prazo. Esta situação tem originado maiores inundações e contaminação das águas, forçando os governos a investir enormes quantidades de tempo e dinheiro na posterior reparação de tais danos.
Kirsten Schuyt, economista de recursos do WWF e co-autor deste informe disse que “com freqüência quem toma as decisões mostra uma insuficiente compreensão a cerca do valor das áreas úmidas e não chega a considerar sua proteção como um assunto sério. Muitas vezes se atribui às áreas úmidas escasso ou nenhum valor econômico, comparado com atividades de uso
do solo que podem obter benefícios econômicos mais visíveis e de curto
prazo”.
O informe destaca que, como resultado do aumento de população e de
projetos de desenvolvimento, desde 1900 até agora desapareceram mais da metade das áreas úmidas do mundo. Por exemplo, nos Everglades (Flórida,
EUA.), o rápido incremento de população, o desenvolvimento e o crescimento urbano, destruíram metade das áreas úmidas originais. Se estima que para reparar os danos resultantes – como o declínio de espécies, a proliferação de espécies invasoras não nativas e uma severa escassez de água – levará décadas e custará quase US $ 8 bilhões.
Valor econômico e ambiental
O WWF considera que os governos precisam reconhecer o valor econômico, social e ambiental das áreas úmidas, devendo também incluir em suas
agendas nacionais o gerenciamento sustentável destes ecossistemas. Também deveriam colocar suas áreas úmidas mais valiosos sob a proteção da Convenção Ramsar, o único tratado internacional existente para a proteção das áreas úmidas.
Por exemplo, a recente inclusão do delta interior do Níger (a terceira maior área úmida do mundo) como sítio Ramsar por parte do governo do Mali representa um importante compromisso para prevenir a super-exploração dos recursos de água doce da região, como também para promover o manejo sustentável dessas áreas úmidas.
Jamie Pittock, diretor do Programa Água Doce do WWF disse que “o
manejo sustentável das áreas úmidas ajudará de maneira significativa a
alcançar a meta fixada na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, de reduzir à metade a população sem recursos de água e serviços sanitários adequados até 2015″.
Fotos
As fotos que ilustram essa matéria são de áreas úmidas do Paquistão: Karumbar Lake in the upper Karumbar Valley, Northern Areas, Pakistan (elevation 4,150 meters. As fotos foram enviadas para o Ramsar Bureau pelo WWF-Pakistan, tomadas pelo fotógrafo Hassan Zaki.
Mais fontes
Mais informações sobre este tema:
www.ramsar.org
www.wwfca.org
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