Vida selvagem em harmonia com o turismo

Rob Richley, London Press Service

Capitães de embarcações de lazer e operadores de iates de cruzeiro estão aprendendo sobre ecoturismo em um programa de treinamento pioneiro, elaborado para ajudar a proteger a abundância de animais marinhos vivendo nas costas do Reino Unido.

Entidades como a English Nature, grupos de boa vontade voltados à proteção da vida selvagem e outros parceiros estão criando a WiSe – abreviação para Wildlife Safety – considerado como o primeiro programa do mundo com certificação marinha voltado à proteção da vida selvagem.

O programa visa a reduzir o aumento de incidentes causados por navegadores e que perturbem ou mesmo ameacem a vida dos habitantes do mar, além de promover a observação segura de baleias, golfinhos, focas e tubarões gigantes.

Os operadores de embarcações de lazer, de cruzeiros para observar a vida marinha, de barcos de mergulho e de iates de cruzeiro que possam ter contato com animais marinhos são incentivados a se filiarem à WiSe de modo a poderem comercializar suas atividades como amigos da vida selvagem.

Os primeiros cursos de treinamento realizados em Cornwall, Devon e Dorset, na região sudoeste da Inglaterra, em 2003, atraíram muitas pessoas, já existindo uma lista de espera para futuros treinamentos.

Os organizadores estão interessados em que o treinamento bem-sucedido nessa região se transforme em um modelo para o resto do Reino Unido, já havendo pedidos para a realização desses cursos em outras partes do país.

As organizações de proteção marinha do Caribe, da Espanha e de várias outras localidades também demonstraram interesse no programa inovador da WiSe.

Os conservacionistas dizem que a vida marinha pode estar ameaçada e demonstra sinais graves de angústia quando abordada de maneira insensível por embarcações de lazer, que possam não estar cientes da sensibilidade das criaturas marinhas.

Colin Speedie, diretor de cursos da WiSe, declara: “Baleias, tubarões e golfinhos podem sofrer com as melhores intenções de observadores que se aproximam demais, ou com a quantidade de barcos ao redor desses animais. Essa situação pode criar angústia e, em alguns casos, até danos físicos. Uma embarcação dirigida sem cuidado é muito perigosa à vida marinha – e se continuarmos a perturbar essas criaturas, elas simplesmente se manterão afastadas.”

A legislação para proteger as espécies contra danos ou perturbações existe, mas colocá-la em prática no mar é muito difícil. Os códigos de conduta desenvolvidos em muitas áreas do Reino Unido para influenciar a maneira como as pessoas se comportam, quando próximas a animais marinhos, têm sido ineficazes.

Victoria Copley, consultora de operações marinhas da English Nature, diz que nunca se viu tantos navegadores nas costas do Reino Unido, o que só pode piorar os níveis de estresse no meio ambiente marinho, causados por fontes reduzidas de alimentação. “A melhor maneira de apreciar os animais marinhos em nossos mares é observar seu comportamento natural, sem reagir à proximidade das pessoas. Por isso acreditamos que o programa da WiSe é tão importante”, ela afirma.

Sua visão ecoou aos ouvidos do navegador Ken Lane, da Dart Princess Pleasure Cruises, uma empresa de cruzeiros marítimos de Devon. Em suas palavras: “Como barqueiro, é encorajador observar uma organização que promove cursos para ajudar e habilitar as pessoas a apreciarem o mundo natural existente em nossas costas marinhas.”

Colin Speedie, da WiSe e também diretor da MER, uma organização de conservação marinha estabelecida em Falmouth, acaba de voltar de uma viagem de estudos do ecoturismo marinho nos Estados Unidos e Nova Zelândia, em um programa patrocinado pela Winston Churchill Travelling Fellowship. Ele observou que embora o sistema de licenciamento para cruzeiros de observação de baleias nas costas da Nova Zelândia tenha funcionado adequadamente, o sistema semelhante em operação em Boston se mostrou ineficaz em limitar o número de embarcações e o impacto negativo sobre a vida marinha.

Os comentários de Speedie sobre o programa da WiSe destacam: “O ecoturismo marinho mantém muitos benefícios em potencial para os operadores de embarcações, para os visitantes e para os habitantes afins. Queremos que as pessoas apreciem nossa vida marinha enquanto nos asseguramos de que não haverá perigo nessa atividade. É importante que tanto os proprietários das embarcações como os turistas aceitem o programa de certificação da WiSe, para assegurar que as futuras gerações possam apreciar nossas preciosas criaturas marinhas.”

Contato: colin.speedie@mer.org.uk

Mitigação de área de mineração

Havana – Tierramérica – Especialistas cubanos trabalham em um projeto para resgatar o ecossistema afetado por vários séculos de exploração de cobre em uma jazida em Santiago de Cuba, mais de 900 quilômetros a leste de Havana.

O plano a cargo da empresa Geominera Oriente prevê ações para recuperar os solos, modificar a paisagem e reflorestar o entorno da mina El Cobre, descoberta em 1540 fechada em 2001 pelas autoridades. Segundo a Lei de Minas, é obrigatório adotar medidas de restauração e reabilitação ambiental logo após o fechamento definitivo de uma jazida. Um vilarejo próximo à mina é famosa por seu santuário da Virgem da Caridade, padroeira de Cuba, visitado pelo Papa João Paulo II em 1998.

WiSe

A WiSe foi fundada em conjunto pelas entidades English Nature e Marine Southwest, pelo European Social Fund (Fundo Social Europeu) e pelo South West Regional Development Agency (Departamento de Desenvolvimento Regional do Sudoeste), com o apoio de outras companhias do ramo, a saber: Wildlife Trusts, WWF-UK, Shark Trust, MER e South West Tourism.

O curso de dois dias da WiSe ensina os operadores de embarcações a identificar as várias espécies de animais marinhos, sua história de vida e seu comportamento, assim como a maneira de abordar esses animais da maneira menos perturbadora possível. Os capitães e responsáveis pelos iates de cruzeiro são instruídos para limitar o tempo de permanência ao redor dessas criaturas, a manterem certa distância delas e a conduzirem suas embarcações com muito cuidado.

Os participantes são também incentivados a incluir esse elemento educacional em suas viagens de cruzeiro, com o benefício agregado de que, se os visitantes não conseguirem observar tubarões gigantes, golfinhos ou outros animais, eles terão, pelo menos, aprendido alguma coisa sobre esses habitantes do mar.

Após concluírem o curso, os participantes recebem uma certificação da WiSe como operadores do programa e poderão exibir o logotipo da entidade em suas embarcações e folhetos promocionais. O conselho de turismo está incentivando os visitantes a darem preferência às embarcações conduzidas por operadores certificados pela WiSe.

“Essa é uma maneira fantástica de se melhorar o padrão das viagens de cruzeiro para observação de animais marinhos”, diz Nigel Smallbones, gerente da região costeira da Torbay Coast e da Countryside Trust, e que participou do primeiro treinamento promovido pela WiSe. “Esse treinamento ajudará na oferta de viagens de qualidade e representa um trabalho muito valioso para todos os navegadores do mar.”

Praia limpa

Cerca de 1,2 milhão de pessoas devem participar este ano da campanha de educação ambiental Operação Praia Limpa & Arte na Praia, promovida pela Braskem nos estados da Bahia e Alagoas. A campanha, que iniciou dia 31 de janeiro, terá duração de 30 dias e irá abranger 12 praias nos dois Estados. O objetivo é contribuir para a preservação e limpeza das praias e conscientizar a população sobre a importância da reciclagem do plástico.

Além de distribuir aos freqüentadores das praias cerca de 1 milhão de sacolas plásticas para acondicionamento de lixo, a campanha desenvolve atividades de educação ambiental para cerca de 5 mil crianças de 6 a 12 anos, filhos de banhistas, comerciantes e pescadores. Entre as atividades, são realizadas oficinas de reciclagem de embalagens plásticas, com a orientação de educadores na área ambiental.

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