PNUMA adverte sobre perdas causadas pelas mudanças climáticas

Milão/Nairobi, México, 10 dezembro 2003 – Os desastres naturais relacionados a catástrofes ambientais custaram ao mundo mais de US$ 60 bilhões em 2003. As elevadas perdas econômicas, mencionadas em um relatório de especialistas em conjunto com a Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), são parte do rumo preocupante que está tomando a questão das mudanças climáticas, avaliam os analistas. O PNUMA está alertando aos governos, aos empreendedores e à indústria para que diminuam suas emissões como uma maneira de atenuar a crise.

Durante a onda de calor extremo durante a qual as colheitas malograram e a pecuária registrou números negativos e mais de 20.000 pessoas morreram na Europa, se calcula que só na agricultura a perda ultrapassou os US$ 10 bilhões. Os eventos que causaram maior prejuízo, em segundo lugar, foram as inundações ao longo dos rios Huai e Yang-tse, na China, entre julho e setembro: 650.000 casas foram atingidas com um custo aproximado aos US$ 8 bilhões.

Em termos de indenizações de seguros os números mais expressivos são de acontecimentos nos Estados Unidos onde uma série de tornados atingira, o Meio Oeste em abril e maio deixando um rastro de destruição em sua passagem. Os cálculos indicam que as seguradoras gastaram mais de US$ 3 bilhões.

Estes são dados preliminares da Munich Re, uma das maiores companhias

seguradoras do mundo que vem rastreando (desde 1950) as perdas econômicas relacionadas com seguros de desastres ocasionados pelo clima.

Thomas Loster, Diretor de Pesquisa de Riscos Climáticos da companhia e Diretor do grupo de trabalho de Mudanças Climáticas na Iniciativa Financeira do PNUMA, disse que os últimos anos da década dos 90 e os primeiros anos do século XXI foram marcados por um incremento “extremo” em eventos relacionados ao clima.

Loster advertiu que “os verões extremos, como o que tivemos na Europa este ano, serão cada vez mais freqüentes no futuro e que serão uma regra durante a primeira metade do século. O verão de 2003 com suas grandes perdas é um trailer do que serão os verões futuros”.

Klaus Töepfer, Diretor Executivo do PNUMA acrescentou: “As mudanças climáticas não são um prognóstico mas uma realidade que está aumentando e trará sofrimento humano e impacto econômico. Os países desenvolvidos têm a obrigação de reduzir suas emissões, mas também têm a responsabilidade de ajudar os países em vias de desenvolvimento a se adaptar ao impacto do aquecimento global. Saúdo aos compromissos

assumidos aqui em Milão e aos US$ 400 milhões que constituirão um fundo

para ajudar às nações mais pobres a enfrentar estes impactos. Precisamos tornar isto operacional”.

O grupo de trabalho da Iniciativa Financeira do PNUMA também lançou

um resumo ressaltando as oportunidades e os desafios dos acordos sobre emissões dirigido aos diretores executivos das grandes corporações.

Paul Clements-Hunt, da Iniciativa Financeira do PNUMA, disse que as negociações sobre emissões têm o potencial de dar valor às indústrias altamente contaminantes para investir em tecnologias de “diminuição do carbono”, tornando muito caro o ato de contaminar.

Estes esquemas deverão motivar a pesquisa em projetos que reduzam as emissões de gases de efeito-estufa, como plantar árvores, ou novas propostas de energias renováveis nos países em desenvolvimento.

“As empresas necessitam começar a planejar acordos sobre emissões reservando recursos para tecnologias sobre a redução da contaminação e realizando avaliações sobre as emissões de gases de efeito-estufa”. Entre as sanções estabelecidas para os países europeus as empresas de energia, aço, papel e outras enfrentam uma multa de US$ 40 por tonelada de dióxido de carbono que emitam acima dos níveis aprovados. A multa aumentará para a 100 euros por tonelada depois de 2008.

Mais informações sobre este assunto:

www.munichre.com

www.unepfi.net

www.unep.org

Água é preocupação para os canadenses

Estatísticas recentes da Organization for Economic Co-operation and Development (OCDE) mostram que em 1999 cada canadense consumiu, em média 1.471 m³ de água ficando em segundo lugar entre os países-membros que mais consumem o produto. Os campeões são os norte-americanos que usaram em média 1.870 m³. Na parte que se refere às atividades humanas e o meio ambiente os dados revelam que alguns dos recursos hídricos do país estão sob ameaça.

“Desde 1850, cerca de 1.300 glaciares perderam entre 25 e 75% de sua massa, sendo que a maior parte da perda ocorreu nos últimos 50 anos” atesta o levantamento. Outra constatação é de que a qualidade da água é a maior preocupação dos canadenses que vem aumentando consideravelmente o uso de água engarrafada: a média de 17,9 litros/pessoa/ano subiu para 27,6 litros/pessoa/ano em menos de cinco anos.

“Em 2001, mais de 2.600 instalações industriais informaram a descarga de produtos químicos em corpos dágua.” O estudo revela, ainda, que 64% dos fazendeiros que têm poços individuais de abastecimento disseram que não analisam a qualidade da água regularmente. E que em 2000 as indústrias canadenses gastaram US$ 3 bilhões em proteção ambiental.

Segundo a Associação Canadense de Água e Esgoto o país precisa investir anualmente US$ 5,4 bilhões até 2012 para modernizar e ampliar a infra-estrutura de água e esgoto.

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