Políticos têm que ver os benefícios do saneamento

É mais fácil entender a necessidade de priorizar o saneamento quando se contabiliza os gastos originados com a falta dessa infra-estrutura fundamental. A declaração foi feita pelo presidente da Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental (Aidis) Horst Otterstteter, durante a entrevista coletiva no Fórum Internacional das Águas. Com isso ele enfatizou que um dos principais desafios ao cumprimento das metas do milênio, entre elas a redução em 50% do número de pessoas sem acesso à água no mundo.

Ele disse que em termos de tecnologias a América Latina está perfeitamente apta a oferecer solução para todos os problemas. “O que precisamos é fazer com que o saneamento suba na escala de prioridade política” disse. Ele exemplificou que o Chile fez subir de 17% para 70% o índice de tratamento de esgotos em apenas três anos por ter colocado essa meta como uma prioridade. É claro que a pressão econômica da Comunidade Européia, que é a principal importadora de alimentos chilenos, foi decisiva, segundo ele. “Mas uma vez priorizada a meta os recursos surgiram” .

Horst colocou também entre os outros desafios a serem vencidos a participação da comunidade e naturalmente a disponibilização de recursos. “É necessários buscar outras fontes de financiamento. Precisamos encontrar o equilíbrio entre o público e o

Também o presidente da Associação Internacional de Água (IWA), Michael Rouse, colocou a questão da prioridade política como um dos principais desafios mundiais mas foi mais longe ao revelar que se firma uma tendência de adoção de teconologias mais brandas. “Hoje temos sérias dúvidas se esses sistemas de esgoto, que concentram as grandes estações de tratamento são a melhor solução”, afirmou.

Rouse também ressaltou a participação da comunidade como um elemento importante para o sucesso e viabilização dos projetos de saneamento. “Está provado que quando a população participa da implantação aumenta a disposição a pagar que permite a sustentabilidade do sistema” afirmou. Ele empregou o termo ecossaneamento para classificar essa nova tendência de apontar soluções locais ou “nucleais” para a solução dos problemas de falta de acesso aos serviços de água e esgoto.

MP dos transgênicos deve ser obedecida

O ministro interino do Meio Ambiente, Cláudio Langone, pede que os produtores rurais cumpram a medida provisória do governo federal sobre transgênicos e condena aqueles que dizem que vão cumprir o que lhes interessa. Segundo o ministro, essa conduta é um desrespeito ao estado democrático. A afirmação foi feita durante o painel Água e Desenvolvimento nessa quinta-feira, segundo dia do Fórum Internacional das Águas, no Centro de Eventos da FIERGS. Langone deixou claro que a MP veda o plantio em áreas da biodiversidade e de preservação ambiental salientando que os produtores precisam reconhecer o esforço do governo de regularizar o setor.

O ministro alertou para a importância do desenvolvimento sustentável combinando necessidade de crescimento com respeito ao meio ambiente. Ele citou equívocos que prejudicam outros setores da economia como o ecoturismo e o turismo rural fazendo uma referência ao incentivo à produção de suínos que gerou regiões com excesso de excrementos que são dez vezes mais poluentes que os dejetos humanos. Já o presidente da Agência Nacional das Águas, Jerson Kelman, salientou a importância da prevenção para evitar a escassez como ocorre na grande São Paulo.

Ele evidenciou que medidas preventivas de uso racional da água em regiões do Rio de Janeiro determinaram que hoje mais de 9 milhões de pessoas não estejam vivendo o drama do racionamento como ocorrendo em diversas cidades paulistas. O secretário de meio ambiente da Argentina, Ariel Carbajal, ratificou a importância do uso eficiente.

Ainda participou do painel o diretor geral do gabinete de Relações Internacionais do Ministério das Cidades, Planejamento do Território e Ambiente, Antônio Gonçalves Henriques, que destacou a importância de legislação interestadual de recursos hídricos afirmando que existem 263 bacias hidrográficas internacionais.

Henriques ressaltou a importância do uso equilibrado como princípio para evitar danos ao meio ambiente e à sociedade. Disse ainda que é preciso haver o equilíbrio entre a integridade territorial e fluvial absoluta. Ele lembrou a importância de troca de informações entre países para medir riscos ambientais.

Fonte: Assessoria de Imprensa do Encontro

CEF anuncia até R$ 5 bilhões em 2004

O gerente de Desenvolvimento Urbano da Caixa Econômica federal, Gilberto Chiapinotto anunciou que para o próximo ano, a CEF deverá ampliar o limite de recursos disponíveis para aplicação em saneamento básico. Chiapinotto palestrou em uma das oficinas realizadas esta manhã no Fórum Internacional das Águas, evento promovido pela Associação Riograndense de Imprensa que se estende até sábado no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre. Representando o vice-presidente de Desenvolvimento Urbano e Governamental da CEF Aser Cortinez Peixoto Filho, Chiapinotto disse que os investimentos programados para 2004 podem chegar à casa dos R$ 5 bilhões.

“A CEF é o braço técnico-operacional do governo em investimento no setor”, destacou o gerente, frisando que um dos obstáculos que têm afetado a liberação de recursos na área é a ausência de titularidade da água. “Existe esse marco legal que precisa ser definido”, reitera, acrescentando que o endividamento público – que impede os órgãos de buscar financiamento – é outro complicador. Dados apresentados por Chiapinotto esta manhã indicam que para universalizar o saneamento no Brasil hoje seriam necessários investimentos na ordem de R$ 180 bilhões.

O italiano Riccardo Petrella – secretário-geral do Comitê Internacional para o Contrato Mundial da Água – também esteve no primeiro dia do evento sendo que o resultado do Fórum poderá fazer parte deste documento que será tema do Fórum Alternativo da Água a ser realizado em dezembro em Milão.

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