Banco da Água para promover a universalização

A criação de um Banco Mundial de Água, cujo fundo geraria recursos para sanar problemas de desabastecimento e infra-estrutura, principalmente de países mais empobrecidos, foi um dos destaques do primeiro dia de atividades do Fórum Internacional das Águas realizado em Porto Alegre (RS).

A proposta é do suíço Alberto Velasco, deputado e membro do Comitê Internacional para o Contrato Mundial da Água e também integrante da coalizão suíça A Água, Bem Público, que participou da oficina Águas: Ciência e Educação.

Velasco se diz contrário à privatização da água com base em experiências já vivenciadas por alguns países e entende que o bem deve ser de domínio público, como ocorre na Suíça, onde está sob a tutela de governos regionais que têm investido fortemente em campanhas de conscientização dirigidas a escolas, indústrias e população. “Na Suíça não existe problema de abastecimento, mas sim de conservação dos recursos de que dispomos”.

Conforme o deputado o aumento demográfico previsto para daqui a 40 anos, principalmente de pessoas residindo em zonas urbanas (que poderá abranger 92% da população total), deverá dobrar o consumo de água e gerar um desafio a ser vencido a partir de agora: construir estruturas que atendam essa demanda. “São estruturas que levarão dezenas de anos para ficarem prontas”, alerta.

Segundo Luiz Fernando Cybis, diretor do IPH – Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e um dos debatedores da oficina, despertar cada vez mais a consciência sobre a problemática de que a água é um bem finito é uma necessidade inadiável.

Também Carlos Tucci, pesquisador e professor da UFRGS lembrou a tônica do milênio: pobreza, sustentabilidade da água e preservação ambiental, destacando que todo o impacto que ocorre na água hoje é causado pela má utilização e ocupação do solo. Lembrou ainda que mais de 90% da energia gerada atualmente é de origem hídrica e que não está havendo aumento de volume de água para atender a demanda crescente.

Ajudando a conscientizar

Santos Silva destacou que a visão governamental deve estar integrada com o pensamento holístico individual e toda a sociedade, ou seja as ações particulares têm repercussão no todo e são responsáveis pelas conseqüências de toda e qualquer poluição.

Na oficina um foi tratada a água e gestão ambiental em relação a comunicação social. Todos os integrantes evidenciaram a necessidade dos Meios de Comunicação estabelecerem campanhas de conscientização em acordo com o órgãos públicos.

Fonte: Assessoria de Imprensa do Encontro

Bem finito

A preservação e manutenção da água começam pela consciência de cada um que deve evitar o desperdício e dar destino adequado do lixo. A sugestão é de André Luiz Martinelli Santos Silva que coordenou a oficina sobre Água e Saúde Pública: Implantando uma visão de Vigilância Ambiental em Saúde, do Fórum Internacional das Águas.

Ele destacou que todos os palestrantes evidenciaram a necessidade do uso consciente a partir da constatação de que água é um bem finito e não pode ser consumido indiscriminadamente. E ressaltou que a destinação do lixo a partir da separação em orgânico e reciclável é fator determinante também na manutenção dos recursos hídricos que são deteriorados quando recebem toneladas de lixo periodicamente.

Ainda foi abordado o aspecto de que as pessoas devem cobrar das autoridades ações e campanhas não somente de preservação, mas principalmente a execução de obras que garantam o saneamento básico, ou seja, o tratamento do esgoto cloacal que polui mananciais e bacias hidrográficas.

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