Incêndios devastam bosques em todo o mundo

Em todo o mundo, os incêndios devastam cada vez mais os bosques destruindo a cada ano milhões de hectares de madeira e outros produtos florestais, alerta Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

A expansão descontrolada de atividades agrícolas e do turismo, assim como o incremento do uso dos bosques para atividades recreativas representam um grave perigo para a vida das pessoas e aos recursos naturais.

A destruição de bosques e infra-estruturas e a luta contra os incêndios custam a cada ano bilhões de dólares, informou a FAO.

O organismo internacional instou os países a envolver as comunidades locais no ordenamento e proteção de seus bosques. “Quando as pessoas estão interessadas em proteger seus recursos florestais, os incêndios provocados por seres humanos desaparecem mais cedo ou mais tarde”, declarou Mike Jurvelius, Oficial de Prevenção de Incêndios Florestais da FAO.

“Muitos ecossistemas florestais se adaptam aos incêndios e até necessitam de algum tipo de incêndio para regenerar o bosque natural”, acrescentou Jurvelius. “Mas, desgraçadamente, a maior parte dos incêndios são nocivos quando escampam ao controle”.

Os incêndios florestais foram um dos temas do XII Congreso Florestal Mundial que se realizou de 21 a 28 de setembro de 2003 em Quebec City (Canadá) e ao qual compareceram 3.000 especialistas florestais procedentes de mais de 120 países.

Apenas um cigarro

“O verão, extremamente quente, na Europa, Estados Unidos, Canadá e Austrália, contribuiu para a intensidade e a gravidade dos incêndios”, afirmou Jurvelius. “Quanto mais calor faz, maior é o perigo de incêndios”. As estatísticas apontam que em 95% dos casos a causa principal destes incêndios são as diversas atividades humanas. E às vezes basta uma fagulha ou um cigarro para queimar um bosque inteiro, adverte a FAO.

As principais causas dos focos de incêndio nas zonas rurais são: o desmatamento de terreno por parte dos agricultores; a agricultura migratória; a queima de resíduos e lixo, e o emprego do fogo para caçar ou recolher mel expulsando as abelhas das colméias. A maior parte dos incêndios escapam ao controle porque os agricultores não dispõem das ferramentas para contê-los.

A utilização dos bosques como zonas recreativas aumenta também o perigo de incêndios em muitos países. Os acampamentos, o excursionismo e cozinhar nos bosques são atividades que cada vez se praticam mais em todo o mundo e muitas pessoas não se dão conta dos riscos do fogo.

Na Europa e no norte da África, a migração das zonas rurais contribui também para os incêndios florestais. “Países como Áustria, Alemanha e Suíça conseguiram conter os incêndios florestais”, afirmou Jurvelius. “Durante séculos, fizeram campanhas de sensibilização, incutindo nas pessoas os valores e as funções de seus bosques. Além disso, as comunidades locais e os proprietários privados se preocupam com seus bosques porque dependem dos recursos florestais para seu sustento”.

Namíbia e Moçambique, por exemplo, têm fomentado a implicação das pessoas no planejamento florestal. Tudo isto foi acompanhado de campanhas de sensibilização pública. O resultado foi que na Namíbia o número de incêndios florestais diminuiu de forma significativa.

A FAO convida os países a que compartilhem o custoso material de luta contra os incêndios, como as avionetas, firmando acordos de ajuda mútua em caso de emergências de incêndio. Este ano, os bombeiros espanhóis ajudaram a seus colegas em Portugal com avionetas e pessoal para lutar contra os devastadores incêndios florestais. Incentivados pela FAO, ambos os países haviam renovado há pouco seus acordos de cooperação.

Estratégias de proteção

De 4 a 8 de outubro de 2003 se celebrará em Sidney (Austrália), organizada em colaboração com a FAO, a Conferência Internacional sobre Incêndios Florestais para enfrentar o problema dos incêndios e debater as estratégias de proteção.

Um tema candente

“Os incêndios deste ano estão entre os piores dos últimos tempos, em termos de perdas de vidas humanas e de danos aos bosques e à infra-estrutura: alojamentos, estradas, pontes e telecomunicações”, alerta Jurvelius.

Até agora, Portugal perdeu em torno de 417.000 hectares (ha), o que representa um aumento de 300% em relação à média das duas últimas décadas. Este ano, na França, os incêndios destruíram cerca de 45.000 hectares de bosques, um aumento de 30% com relação à média de 1980-2000.

Na Federação Russa se perderam 23,7 milhões de hectares em 2003, uma superfície praticamente igual à do Reino Unido. Em 2002 a Federação perdeu 11,7 milhões de hectares.

Nos Estados Unidos, foram destruídos 2,8 milhões de hectares por incêndios florestais em comparação com os 1, 7 milhão de hectares de 2002. Em contrapartida, no Canadá, as perdas que haviam atingido 2,6 milhões de hectares em 2002 caíram para 1,5 milhão este ano, apesar da gravidade dos incêndios florestais na zona ocidental do país.

Outras perdas:

Austrália: 60 milhões de hectares

África Sub-sahariana: 170 milhões de hectares.

Todos o mundo em 2000: 350 milhões de hectares (superfície igual à da Índia)

CONAMA contra os transgênicos

O Conama – Conselho Nacional de Meio Ambiente manifestou posição contrária à edição da MP – Medida Provisória que libera o plantio e a comercialização de transgênicos no País. Os 110 membros do conselho aprovaram na reunião do dia 25/09 moção de apoio à postura da ministra Marina Silva com relação à edição da medida.

De acordo com Francisco Iglesias, da Associação Potiguá Amigos da Natureza, e membros do conselho, o Conama é contra a liberação dos transgênicos porque não há estudos suficientes que comprovem a sua aplicabilidade e segurança.

“Se estamos cheios de dúvida sobre os efeitos que os organismos geneticamente modificados podem gerar, por que editar a MP?”, questionou Iglesias.

Para ele, o governo estará aprovando a medida a partir de princípios político-partidários que ferem a soberania nacional. Ele defendeu o estudo de impacto ambiental como condição para decidir sobre os transgênicos.

Agência Brasil

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