Vagner da Silva Oliveira
“ Nesse emaranhado de técnicas dentro do qual estamos vivendo, o homem pouco a pouco descobre suas novas forças. Já que o meio ambiente é cada vez menos natural, o uso do entorno imediato pode ser menos aleatório” Milton Santos – 2000 – Por uma outra globalização editora Record Página 171.
Na era da ecologia triunfante, é o homem quem fabrica a natureza, ou lhe atribui valor e sentido, por meio de suas ações já realizadas, em curso ou meramente imaginadas. Por isso tudo o que existe constitui uma perspectiva de valor. odos os lugares fazem parte da história. As pretensões e a cobiça povoam e valorizam territórios desertos. ( M.Santos 2000 )
Pensar o ambiental, hoje, significa pensar de forma prospectiva e complexa, introduzir novas variáveis nas formas de conceber o mundo globalizado, a natureza, a sociedade, o conhecimento e especialmente as modalidades de relação entre os seres humanos, a fim de agir de forma solidária e fraterna, na procura de um novo modelo de desenvolvimento.
A educação não pode permanecer alheia ás novas condições de seu entorno, que exigem dela respostas inovadora e criativas que permitam formar efetivamente o cidadão crítico, reflexivo e participativo, apto para a tomada de decisões, que sejam condizentes com a consolidação de democracias verdadeiras e sem exclusão da maioria de seus membros.
A introdução da educação ambiental no currículo do ensino básico apresenta uma situação ímpar para a renovação educativa escolar visando uma educação de qualidade, que responda ás necessidades cognitivas, afetivas e éticas, capaz de contribuir com o desenvolvimento integral das potencialidades dos sujeitos e, por que não, a sua felicidade.
Da mesma forma que a ciência só substitui um velho paradigma por outro quando se evidencia a inadequação do primeiro á realidade, gerando ás vezes grandes resistências, as pessoas também resistem em abandonar suas velhas posturas e crenças pedagógicas, se não compreenderem e incorporarem as novas concepções propostas pela reforma e, sobretudo, se não invalidarem suas idéias anteriores.
Com o tempo, essas acabam reaparecendo quando se esquece o que se aprendeu (sem construí-lo de forma pessoal). Ás vezes é mais difícil abandonar as velhas idéias do que construir outras novas, mas o segundo não pode ser feito sem o primeiro; daí a importância de analisar e conhecer a maneira como os professores entendem as questões ambientais e pedagógicas, para invalidar as idéias inadequadas, antes de iniciar qualquer nova aprendizagem.
Edição 172 – 21 a 27/08/2003
Transversalidade
A educação ambiental é um processo que afeta a totalidade da pessoa, na etapa da educação, e que deveria continuar na educação permanente. Possui uma forte inclinação para a formação de atitudes e competências, definidas desde o seminário de Belgrado(1975), como: consciência, conhecimentos, atitudes, aptidões, capacidade de avaliação e de ação no mundo.
A implementação de uma reforma educativa, que implica a discussão e assimilação crítica de novos conceitos, exige a revisão e uma nova elaboração fundamentada dos conhecimentos e postura pedagógicas anteriores, sobre as quais serão construídas as novas estruturas, e a incorporação efetiva da transversalidade.
Autor
Vagner da Silva Oliveira é geógrafo, professor do ensino Fundamental, ambientalista e secretário-geral do Movimento de Resistência Ecológica, líder comunitário vice-presidente da Associação dos Moradores da Ladeira Ary Parreiras e membro da assessoria de Meio ambiente do Crea-RJ – vagnerfia@cre-rj.org.br
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