Gestão ambiental no Mundial de Futebol

O próximo Campeonato Mundial de Futebol, que se realizará na Alemanha em 2006, deverá se tornar um marco em matéria de ecologia para os grandes eventos esportivos. A declaração foi feita na localidade de Neuisenburg, por Juergen Tritin, ministro alemão do Meio Ambiente, durante a apresentação do projeto “Gol verde”. Entre os convidados ao ato de lançamento do projeto estava Franz Beckenbauer, reconhecido astro do futebol mundial e atual presidente do Comitê Organizador do Mundial.

“O futebol é o esporte número um na Alemanha. Queremos aproveitar o clima positivo mundialista na população para fazer algo a favor da proteção ambiental”, afirmou o ministro. Dentro da proposta do “Gol verde” está a redução em 20% no consumo de água e energia e na produção de lixo nas 12 cidades-sede do campeonato. Também se prevê a diminuição, no mesmo nível, das emissões tóxicas dos veículos que transportarão os torcedores e representantes da mídia aos estádios para assistir às 64 partidas.

O Comitê Organizador do Mundial destinará US$ 324 mil e uma soma igual virá da Fundação Entorno, que já tinha investido US$ 54 mil no desenvolvimento do projeto. Beckenbauer entretanto alertou para as dificuldades que podem ocorrer na implementação do projeto. “Esperamos cerca de 3,3 milhões de espectadores em 12 cidades muito diferentes” disse o ex-jogador, lembrando que os Jogos Olímpicos de Sidney, qualificados como “os jogos verdes”, se realizaram em uma só localidade.

Para a manutenção dos estádios da Copa do Mundo são necessários aproximadamente 42.000 metros cúbicos de água. Medidas concretas para a redução da água requerida incluem o aproveitamento da água da chuva e a obrigação de uma rigorosa inspeção nos equipamentos e canalizações. Para diminuir a produção de lixo será reduzido o uso de embalagens

A empresa EnBW AG, uma das três principais patrocinadoras oficiais da Copa do Mundo de 2006 estará envolvida no fornecimento de energia exclusivamente de fontes renováveis.

Fonte: FIFA

Pnuma alerta para risco da pobreza e deterioração

Um informe divulgado no último dia 10/07 faz um alerta para que se realizem mudanças fundamentais na forma como são tomadas as decisões sobre os recursos naturais. O informe – Recursos Mundiais 2002-2004: Decisões para a Terra – Equilíbrio, Voz e Poder – faz a defesa da necessidade urgente de deter a acelerada deterioração do meio ambiente mundial e de abordagem sobre a crise causada pela pobreza global.

Através do informe se convida os governos a que incluam a população na tomada de decisões que afetam os ecossistemas, e para que incluam os efeitos ambientais na adoção das decisões econômicas. Também é destacado como fundamental o acesso do público à informação proveniente dos governos, empresas e ONGs como um requisito necessário para obter um melhor desempenho ambiental. No informe se destaca a necessidade de maior transparência e prestação de contas para contribuir a uma gestão mais justa e efetiva dos recursos naturais.

“Foram obtidos avanços e êxitos no que se refere a unir diferentes setores da sociedade e diversos grupos de interesse em favor de uma causa comum: salvar o planeta Terra”, afirmou Klaus Toepfer, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) durante o lançamento do estudo.

Estatísticas extraídas de Recursos Mundiais 2002-2004 mostram uma dependência generalizada do ser humano daqueles ecossistemas que mantêm a vida da Terra e que se encontram em franca deterioração.

Uma de cada seis pessoas depende do pescado para obter as proteínas que necessita, mesmo que 75% dos bancos de pesca do mundo tenham sofrido sobrepesca ou tenham sido explorados até seu limite biológico.

De cada 100 pessoas, cerca de 41 vivem em bacias hidrográficas que sofrem de tensão hídrica. Quase 350 milhões de pessoas dependem diretamente dos bosques para sua sobrevivência, embora a superfície de bosques já tenha diminuído em 46%.

Aproximadamente metade da população do mundo vive com menos de US$ 2 por dia.

“As comunidades pobres são particularmente vulneráveis a uma deficiente governabilidade ambiental, visto que dependem mais dos recursos naturais para assegurar seus ganhos e subsistência”, declarou a doutora Kristalina Georgieva, diretora do Departamento de Meio Ambiente do Banco Mundial.

No estudo se afirma que a melhor maneira de forçar os governos a atuar é preparando os cidadãos para que o exijam mediante um maior acesso à informação, participação e justiça na tomada de decisões relativas ao meio ambiente. Quando aqueles que estão a favor do meio ambiente e dos pobres têm espaço na mesa de discussão, as decisões que resultam têm maiores possibilidades de promover a sustentabilidade ecológica, a equidade social e uma resolução de conflitos duradoura.

“A democratização dos processos decisórios é um dos caminhos mais rápidos para adotar melhores decisões ambientais”, afirmou Jonathan Lash, presidente do Instituto de Recursos Mundiais (WRI).

Um estudo de nove países realizado através de The Access Initiative, um esforço colaborativo do WRI e 24 grupos da sociedade civil, indica que mesmo tendo havido progresso no que diz respeito a promover a transparência, a inclusão e a prestação de contas no processo de tomada de decisões ambientais, ainda resta muito por fazer para melhorar tanto a legislação como a prática.

Ecobreves Terramérica

Rio de Janeiro, jul – O Rio de Janeiro espera abastecer toda sua frota de ônibus, caminhões e outros veículos com biodiesel obtido a partir do aproveitamento de resíduos cloacais urbanos.

Através de um programa pioneiro no Brasil serão utilizados também resíduos oleosos da indústria alimentícia, de hotéis e restaurantes, para produzir mensalmente seis milhões de litros de óleo que serão adicionados ao diesel, até 5% da mistura. “Cerca de 10% do desagües urbanos são óleo e desenvolvemos tecnologia própria para separar e convertê-lo em biodiesel”, informou à Terramérica o coordenador do projeto, Nelson Furtado, da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia. Provas de campo com 50 ônibus devem ser concluídas dentro de alguns meses.

Peru: Gasolina com chumbo

Lima, jul – O Ministério dos Transportes do Peru prorrogou por um ano, até 31 de dezembro de 2004 a autorização para produzir gasolina de 84 octanas com chumbo, a de maior consumo no país. A permissão para a produção do combustível vencia a fines de este ano.

A eliminação do chumbo na gasolina é uma das principais reclamações das organizações ambientalistas, pela contaminação que produz esse metal pesado. A decisão foi justificada pelo alto custo que implica para as empresas refinadoras a elaboração do combustível sem chumbo.

México: Informe ambiental

México, jul – Jovens mexicanos apresentarão em junho de 2004 a autoridades do país o informe GEO Juvenil, que sintetizará suas experiências, demandas e reflexões relacionadas com o meio ambiente. Uma rede de colaboradores recolherá desde esta semana até o próximo ano, em todo o país, as inquietudes ambientais dos jovens de 15 a 28 anos, que servirão de base ao informe. “Pretendemos que os jovens tenham um canal para serem ouvidos”, explicou à Terramérica Luis Betanzos, coordenador do projeto, pertencente ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), entidade que já elaborou informes similares na Argentina, Cuba, Peru e Uruguai.

Honduras: Riqueza marinha

Tegucigalpa, jul – A proteção dos recursos marinhos e costeiros será incluída em Honduras nos textos de estudos de biologia, ciências naturais e geografia do ensino Fundamental e Médio a partir do próximo ano, informou o Ministério de Educação. A iniciativa integra um programa de capacitação do projeto do Sistema Arrecifal Mesoamericano, – o maior do oceano Atlântico e segundo do mundo e que compreende território do México, Belize, Guatemala e Honduras -, que busca conscientizar os alunos sobre a importância de preservar os ecossistemas marinhos. Cinqüenta educadores receberam capacitação, que repassarão a outros mestres, sobre o manejo das guias metodológicas para a proteção dos recursos marinhos e costeiros, explicou à Terramérica o ministro da Educação, Carlos Ávila. “Só a educação das crianças e jovens pode garantir a sustentabilidade dos recursos”, disse à Terramérica seu titular, Oscar Lanza Rosales.

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