Sesc Pantanal ganha designação de Sítio Ramsar

Adriana Gomes – Estação Vida

A Reserva Paticular de Patrimônio Natural [RPPN] Sesc-Pantanal foi designada, este ano, como Sítio Ramsar, o primeiro em área privada do Brasil e o segundo local do Mato Grosso – o outro é o Parque Nacional do Pantanal – a obter o título. A designação é dada pela Agência Ramsar, proveniente de uma Convenção, ocorrida em 1971, que levou o nome da cidade iraniana de Ramsar onde ela foi realizada. Na ocasião, os países participantes assinaram um tratado de cooperação para a conservação e o uso racional das Zonas Úmidas, reconhecendo as funções ecológicas e o valor econômico, cultural, científico e recreativo dessas áreas.

Como RPPN o local tem sua perpetuidade averbada aos registros da propriedade e é reconhecido como Unidade de Conservação pelo governo federal. Abriga flora e fauna exuberantes, tornando-se um reforço à conservação do ecossistema pantaneiro. O projeto Sesc-Pantanal, mantido pelo Serviço Social do Comércio, está se convertendo em modelo de educação ambiental, de preservação da natureza, de pesquisa e de ecoturismo. Seu compromisso é com a melhoria da qualidade de vida dos que habitam ou trabalham no Pantanal.

A pesquisa no Projeto Sesc-Pantanal amplia os conhecimentos técnico-científicos necessários a uma gestão ecológica sustentada. Para isto foram estabelecidas parcerias com universidades federais, com a Embrapa e com organizações não governamentais em diversos estudos e pesquisas avançados sobre a fauna, flora, recursos hídricos, solos, clima, turismo, organização social, meio ambiente e educação ambiental.

A presença do Sesc na proteção da biodiversidade no Pantanal, um dos estuários mais ricos do planeta, está em sintonia com o chamamento feito aos empresários do Comércio e da Indústria por ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, a Rio – 92, no sentido de “reconhecer o manejo do meio ambiente como prioridade e fator determinante, essencial ao desenvolvimento sustentável. Desenvolver uma consciência ética e ambientalista na tomada de decisões em relação ao patrimônio natural…”

Vantagens

A introdução de Zonas Úmidas de seu território à Lista Ramsar é vantajoso para o Brasil nos aspectos:

Posicionamento político: reflete uma preocupação do Governo Brasileiro em atender os reclamos da sociedade com a conservação de grande parte de seu território, no que se refere à flora, à fauna e ao recurso da água;

Nova estatura internacional: com o reconhecimento, foram ampliadas as possibilidades de negociações internacionais voltadas para o apoio ao desenvolvimento de pesquisa, acesso a fontes internacionais de financiamento e criado um cenário mais amplo para a cooperação regional e internacional.

Novas perspectivas para o desenvolvimento: o País insere-se nas visões modernas de desenvolvimento que têm como premissa básica a promoção da qualidade de vida, obtida por meio da utilização sustentável – considerado sinônimo do conceito de “uso racional” de Ramsar – aqui incluídos os aspectos econômicos e os sociais.

Dimensão estratégica: projeta a importância do Brasil na região Neotropical, no âmbito da Convenção de Ramsar, no que se refere aos valores e benefícios derivados das Zonas Úmidas.

Áreas úmidas

Os países membros da Convenção de Ramsar participam de um processo destinado a identificar os sítios em seus territórios que podem ser classificados como “zonas úmidas de importância internacional”, com o objetivo de prestar especial atenção a sua conservação e a seu uso sustentável. Até hoje, os 133 estados partes [países] incluíram cerca de 1.150 Sítios Ramsar [aproximadamente 96,3 milhões de hectares] na Lista de Zonas Úmidas de Importância Internacional – a chamada Lista Ramsar.

O Brasil é considerado o 4º país do mundo em superfície nessa Lista. Possui oito Sítios, o que equivale a cerca de 6,5 milhões de hectares. A finalidade é promover o uso racional de todas as zonas úmidas situadas em seu território, mediante a adoção de políticas e legislação apropriadas e atividades de formação, pesquisa ou destinadas a incrementar a consciência pública do valor das zonas úmidas.

A convenção

O Brasil ratificou a Convenção em 24 de setembro de 1993. A convenção não é uma agência internacional reguladora, e não tem pretensão de impor nenhum tipo de restrição ou condição que afete a soberania dos países, mas sim de preservar estes locais.

Ser considerada zona úmida de importância internacional é relevante porque estas áreas, segundo a lista Ramsar, estão entre os ambientes mais produtivos do mundo, considerados armazéns naturais de diversidade biológica. Além disso, proporcionam sistemas de apoio a vida para grande parte da humanidade, cumprindo funções ecológicas fundamentais como reguladora dos regimes hidrológicos e como hábitat de uma rica biodiversidade. Contribuem também para a estabilidade climática, por meio de seu papel nos ciclos globais de água e carbono, constituindo-se em um recurso de grande importância econômica, cultural, científica e recreativa, que deve ser preservado.

As zonas têm o objetivo de atrair especial atenção a sua conservação e a seu uso sustentável. No caso do Sesc-Pantanal, com seus 87.871,44 hectares e mais 18.436,9 hectares em processo de anexação, serão conservados rios permanentes, lagos, baías, planícies de campos cerrados e florestas inundáveis sazonalmente. O novo Sítio está localizado no município de Barão de Melgaço, a 128 km de Cuiabá, mas seu raio de atuação vai até a cidade de Poconé.

Ecobreves – Tierraamérica

Uruguai

Teatro ambiental em ônibus

Montevidéu, jul (Tierramérica) Os ônibus da capital uruguaia são cenário de uma atividade teatral ambulante para a difusão de questões ambientais, em especial para transmitir uma mensagem de valorização da água potável e da biodiversidade, e promover uma conduta mais ativa em relação a esses assuntos.

“Cenas Passageiras” é uma iniciativa lançada em 1999 pelo grupo teatral montevideuense Polizonteatro, financiada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e patrocinada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a Organização dos Estados Americanos e o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O tema ambiental se incorporou este ano à atividade, que antes abrangia questões culturais e de interesse geral em diferentes bairros, usando linguagem típica das festas populares locais.

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