
Segundo um informe divulgado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) a América Latina é a região mais rica em biodiversidade e a segunda maior reserva de água doce (depois da Ásia) do planeta. Entretanto, ao mesmo tempo, é a região com maior exclusão social e falta de equidade.
Conforme a ONU, aproximadamente, 1,1 bilhão de pessoas no mundo não têm acesso à água limpa para beber e 2,4 bilhões, não contam com adequados serviços de saneamento. Se estima que, deste total, entre 70 e 120 milhões de pessoas, respectivamente, pertençam à América Latina.
Em termos de recurso hídrico, o paradoxo é que embora se tratando de uma das regiões do mundo com maior abundância de água doce, na prática o acesso ao recurso está seriamente limitado para uma porção importante da população e a qualidade é deficiente. Isso se explica, em parte, por fatores como a desigual distribuição geográfica das fontes de água ou da população, a contaminação, a deterioração dos ecossistemas que prestam serviços ambientais; assim como o desperdício e a falta de consciência pública.
Em termos da biodiversidade, o paradoxo é muito mais grave, porque se trata de um continente com grande riqueza em recursos genéticos e de ecossistemas que, entretanto, mantém altos índices de pobreza.
É bom lembrar que los ecossistemas estão estreitamente ligados ao ciclo da água, pelo qual não se concebe uma gestão do mesmo desvinculada de uma gestão da biodiversidade. E a biodiversidade, além de seu valor
intrínseco, é fonte potencial de riqueza e bem-estar social, geradora de bens e serviços.
Por isso a comunidade internacional vem manifestando sua preocupação sobre o tema. Precisamente um dos resultados mais positivos da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável realizada em Johannesburgo, no ano passado, estão associados com a água. O Plano de Aplicação inclui o compromisso de reduzir à metade o percentual de pessoas que não têm acesso à água ou que não podem custeá-lo (como é mencionado, também, na Declaração do Milênio) e o das pessoas que não têm acesso a serviços básicos de esgotamento sanitário, para o ano 2015.
Por outro lado, a “Iniciativa Latino-americana e Caribenha para o Desenvolvimento Sustentável” emanada do Fórum de Ministros do Meio Ambiente propõe ações voltadas a melhorar as condições de infra-estrutura básica e tecnologia e incrementar a eficiência no uso da água na indústria, agricultura e no âmbito doméstico.
Propõe, também, “fortalecer a institucionalização para o manejo integrado de bacias e aqüíferos” e “melhorar a qualidade de efluentes e diminuir a descarga de contaminantes em corpos de água subterrâneos assim como em zonas litorâneas”.
Participação
Para cumprir com estas metas, o Plano inclui linhas de ação direcionadas à criação de infra-estrutura e serviços de abastecimento de água em saneamento, a informação pública e participação na tomada de decisões, ao fortalecimento da capacidade nacional e à prevenção e proteção para promover o aproveitamento sustentável da água.

Conservação
É evidente que boa parte do esforço dos governos e da cooperação internacional durante los próximos anos se canalizará para a construção de infra-estrutura de saneamento, mas é igualmente necessário prestar atenção à gestão dos ecossistemas que estão à montante e à jusante das mencionadas infra-estruturas, já que as fontes de água e os ecossistemas que prestam serviços ambientais de armazenamento, regulação e saneamento hídrico devem ser objetos de um manejo integral.
Isto significa priorizar a conservação de áreas úmidas e bosques em bacias hidrográficas estratégicas.
Co-responsabilidade
Outro desafio, talvez um dos mais importantes, é reconhecer que existe uma co-responsabilidade pela boa gestão do recurso entre os governos e a sociedade civil.
É fundamental sensibilizar os tomadores de decisões em todos os setores e instâncias de cada país.
Mesmo que os governos assinem acordos e assumam o compromisso de aplicá-los, é a sociedade civil organizada quem tem a responsabilidade de dar seguimento e fazer o processo andar.
Leave a Reply