
Com o apoio da Toyota do Brasil, a bordo de uma picape Hilux 4X4, o jornalista e ecologista Antônio Paulo Pavone, indica os points de ecoturismo e esportes radicais de São Paulo. A série São Paulo Aventura conta também com o apoio da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo (SEMA).
No litoral norte paulista, a maior ilha marítima brasileira tem trilhas na mata atlântica, cachoeiras e um marzão de tirar o fôlego. Se você gosta de alternar caminho de mato com onda de mar vale a pena conhecer Ilhabela, no litoral paulista. Ela tem 346 quilômetros quadrados. Desse montante, 85% são protegidos por um Parque Estadual. É considerada a maior área intocada de Mata Atlântica no Estado de São Paulo. São 27.025 hectares de floresta tropical latifoliada úmida de encosta, com alto grau de biodiversidade.
Escondidas pela densa vegetação existem por lá centenas de cachoeiras, enfileiradas nas escarpas de várias montanhas, com altitudes que variam de 600 a 1.300 metros, para alegria dos montanhistas. Coberta pelo verde, esconde trilhas isoladas, ótimas para a prática dos mais diversos esportes radicais. A maioria delas levam a praias remotas, algumas com boas ondas, para surfista nenhum botar defeito. Ao todo são 130 quilômetros de costeiras, por onde se espalham 43 praias.
Com boa infra-estrutura para embarcações a vela, hotéis e pousadas na face voltada para o continente, apresenta um lado inóspito na parte leste, com praias desertas também ao sul e ao norte. Avenida radical Um caminho quase todo asfaltado, com 38 quilômetros de extensão, interliga a ilha na direção norte-sul, passando pela charmosa vila e centro comercial. A única conexão por terra com a parte leste, no entanto, é uma estrada-aventura, muito tortuosa e cheia de surpresas, que tem nomes regionais como Morro do Sabão e outros ainda mais escorregadios.
A avenida radical serpenteia em meio a um bom trecho de serra. É indicada a todos que desejarem treinar off road, motocross ou mountain bike. Cheia de buracos, precipícios e valetas, a vereda de chão batido cruza a portaria do Parque Estadual de Ilhabela e avança até o coração da reserva biológica. Durante as chuvas, ela se transforma num imenso atoleiro. Alguns grupos fazem o trajeto a pé.
Caminhada light
Logo no início, na portaria do Parque, existem placas que indicam algumas boas opções de caminhada ligth. São as trilhas autoguiadas que levam até poços e cachoeiras como a da Água Branca, da Escada e da Pedra. Esse trecho do parque guarda também outra atração: a torre de observação de aves, única existente no litoral norte para este tipo de atividade.
A estrada-aventura que leva até o lado selvagem da ilha começa ao nível do mar e vai se elevando rapidamente até mais de 800 metros de altitude e se estende por 22 km. Atravessa morrarias, regatos e densas porções de Mata Atlântica, onde ainda é possível observar tucanos e outras aves coloridas. No final do trajeto, a recompensa é o mar cristalino e cheio de peixes da praia de Castelhanos. O acesso complicado preservou o abrigado refúgio ecológico. No passado, o local serviu de esconderijo de piratas e navios negreiros.
A partir dali há trilhas que levam até outras praias selvagens como a Mansa, Vermelha, Figueira e a do Gato. É por ali também que fica a misteriosa e imponente cachoeira do Gato, uma das maiores da região, com cerca de 80 metros. O percurso até a grande queda d’água começa no canto esquerdo da praia e tem cerca de 2 km. A vegetação é fechada e a trilha inclinada requer um bom preparo. O esforço é recompensado pelo espetáculo da água despencando por um paredão rochoso, ideal para o cascading. A seguir, uma segunda queda forma um estimulante poço transparente.
Outras opções
Além desses trekkings do lado leste, existem dezenas de outras opções de trilhas, como a da Toca das Furnas, do Pico de São Sebastião e das cachoeiras do Couro do Boi e Friagem. Todas necessitam do acompanhamento de um guia local, pois as picadas abertas por caçadores clandestinos podem fazer com que o visitante se perca facilmente. A maioria delas, como a da Laje Preta e a do Veloso, conduzem a cascatas de águas cristalinas, com piscinas, tobogãs e hidromassagem natural
A Trilha que leva até o pico do Baepi, com 1.058 metros de altura, é outra boa pedida a pedida para os montanhistas mais ativos. São seis horas de caminhada em ziguezague até o topo. Lá de cima, dá para avistar toda a cadeia de montanhas da ilha, o canal de São Sebastião e parte da Serra do Mar, ao longe, no continente.
Uma raia no canal
O canal de São Sebastião, que separa a ilha do continente, continua sendo raia de treinamento para os melhores velejadores do país, também trouxe para a ilha a fama de Capital da Vela. Além de ser um ponto de partida obrigatório para as provas náuticas, atrai, nos finais de semana, windsurfistas e outros amantes de esportes marítimos. Um dos pontos para a prática do windsurfe é a Ponta das Canas, no extremo norte da ilha. Lá, o pessoal costuma caprichar na performance, num constante show de manobras radicais, rasgando o canal de ponta a ponta e pegando carona nas marolas dos iates e veleiros que agitam a área.
Além da Ponta das Canas há outros pontos ótimos para a prática de windsurfe, como a praia do Pinto, Armação e Feiticeira. Para os surfistas, no entanto, vale dar uma boa caminhada até a parte oposta da ilha e encarar o Canto Bravo, na distante praia do Bonete. Nessa aldeia isolada de pescadores o mar bate forte e costumam pintar algumas big waves tropicais.
Também dentro da área de proteção ambiental foi criado o Santuário Ecológico Marinho da Ilha das Cabras, que protege um pequeno corredor de águas entre a ilhota e a ilha principal. No local, muito freqüentado pelos mergulhadores, costuma ser feito o batismo para principiantes.
Cercado por morros altos e água transparente, o Saco do Sombrio é uma outra ótima pedida para quem quiser explorar a parte pouco freqüentada da ilha. Para chegar até lá, existe um passeio de lancha que costeia o norte e passa pelas praias do Jabaquara, da Fome, do Poço, da Serraria, Guanxuma, Saco do Eustáquio, Baía de Castelhanos e Saco do Sombrio. Agora, basta escolher o seu roteiro predileto, respirar fundo e se aventurar.
Leave a Reply