Pela passagem do Dia Mundial do Meio Ambiente, que se celebrou em 5 de junho, Ecologistas em Ação, confederação de 300 grupos ecologistas, tornou pública a concessão do Prêmio Atila para distinguir os que ao longo de um ano tenham se destacado por sua contribuição à destruição do meio ambiente.
A proposta dos Prêmios Átila é “distinguir e denunciar pessoas, entidades ou projetos que mais tenham se destacado por sua contribuição à destruição do meio ambiente”. Os prêmios, que foram outorgados pela primeira vez em 1992, têm duas categorias denominadas “Atila” e “Cavalo de Atila”.
Para este ano a deliberação do júri foi a seguinte:
1. Conceder o Prêmio Atila à pior conduta ambiental a George W. Bush, Presidente dos EUA, pela guerra, mas também pelo desprezo aos acordos internacionais de proteção do meio ambiente e direitos humanos.
2. Conceder o Prêmio Cavalo de Atila a José Maria Aznar López, Presidente do Governo Espanhol, e ao Partido Popular por vários motivos que vão desde o apoio à guerra, até a catástrofe do Prestige, passando pelo “insustentável” Plano Hidrológico Nacional.
Os jurados consideraram que a guerra, e a preparação para ela, tem sido um dos maiores fatores de destruição ambiental ao longo da história; e que as forças armadas são o maior agente contaminador do planeta. Apesar disso expressaram ter esperança de que a concessão deste prêmio chame à reflexão da opinião pública sobre a deterioração ambiental que sofre o planeta.
Diversidade em perigo
A opulenta diversidade de vida silvestre no sul do México e da América Central está em perigo. As agências de governo e organizações nacionais e locais estão usando satélites para controlar um vasto sistema de corredores de terras protegidas.
Em uma área de grande biodiversidade, onde 7% das espécies terrestres convivem em menos de 1% da terra do planeta, uma população humana em rápido crescimento luta com a enorme pobreza que afeta a mais de 20 milhões de pessoas. Muitas destas pessoas sobrevivem através de uma agricultura contraproducente, de “desmatamentos e queimadas”, colocando-se a si mesmas e ao bosque tropical em inexorável rota de colisão com uma catástrofe ecológica.
Promover a economia local, ao mesmo tempo que se protegem os bosques e a vida silvestre é a ambiciosa meta de um projeto internacional chamado Corredor Biológico Mesoamericano (CBM). O maior esforço de “desenvolvimento sustentável” de sua classe no mundo, o CBM é uma rede em crescimento de terras protegidas e zonas semiprotegidas onde se promove um melhor uso dos recursos naturais, e que cobre toda a longitude da América Central desde o sul do México até a região de Darién, no Panamá, uma zona conhecida como “Mesoamérica”. As terras do CBM são administradas coletivamente pelos governos dos sete países da região e o México. Juntos, estes governos protegem algumas áreas do CBM e em outras promovem a utilização econômica “sustentável” do solo.
Para realizar o trabalho, Irwin e seus colegas usam dados de uma variedade de satélites. Em 1998 a NASA assinou um acordo com a CCAD para utilizar seus satélites de observação terrestre, o chamado Earth Observing System, para contribuir ao desenvolvimento do projeto corredor. Um resultado desta colaboração foi um estudo que utilizou dados do Landsat desde 1990, com o qual se confirmou o fato de que o corredor estava protegendo os bosques. Em torno de uns 80% dos bosques dentro do CBM ainda continuavam em excelente estado, comparados com só uns 30% fora dele.
No caso dos incêndios nas regiões de Petén e Yucatán este ano, ao ser colocada essa informação aos meios de comunicação, foi possível mobilizar mais atenção dos políticos, instituições e público em geral sobre a magnitude do desastre, segundo os especialistas.
Trabalho conjunto
Funcionários aprendem a interpretar e utilizar dados de satélites.
Foto: NASA/CCAD.
Ecologia e economia: Uma relação conflituosa?
“A dimensão humana é agora um dos fatores mais importantes não só para a conservação, mas também para o desenvolvimento econômico sustentável”, disse Daniel Irwin, um cientista pesquisador que vem trabalhando na América Central há muito tempo e que agora está no Centro Marshall de Vôos Espaciais da NASA.
“Não é só uma questão de proteger a vida silvestre, deve-se procurar também o bem-estar da população que vive na área”, disse Irwin.
O desenvolvimento auto-sustentável é uma diretriz relativamente nova no pensamento ambientalista. Reconhece que as pessoas necessitam usar os recursos da natureza para sobreviver, mas também afirma isso deve ser feito de uma maneira ecologicamente sensitiva, conservando os recursos biológicos para a presente e para as futuras gerações
Por exemplo, com os habitantes da área é possível promover a utilização do nitrogênio através de plantações de legumes tais como alfafa, em lugar de cortar e queimar mais bosque quando o solo se esgota. Outra estratégia freqüente é usar redução nos impostos para motivar o dono de um terreno a deixar sem cultivar parte do bosque de sua propriedade, em vez de explorá-lo.
Para maximizar os benefícios ecológicos de preservar estes bosques, o CBM mantém franjas do terreno conetando as áreas de bosques, outra idéia relativamente nova na conservação da vida silvestre: os chamados “corredores”.
Os animais e as sementes de plantas podem então se mover entre estas áreas, reduzindo a ameaça de desastres locais que destruam uma espécie inteira. Providenciam também mais espaço para os carnívoros superiores tais como o jaguar, que devem percorrer grandes distâncias para sobreviver. Por esta razão, a rede de áreas conectadas como um conjunto tem maior valor ecológico do que a soma de suas partes.
“Se forem evitadas as intensas migrações como ocorre na savana africana, o corredor pode cumprir seus propósitos e ao mesmo tempo permitir certa classe de utilização dos recursos naturais”, explica Archie Carr III, um veterano conservacionista que dirige os projetos da Sociedade para a Conservação da Vida Silvestre (Wildlife Conservation Society) no Caribe. Carr dirigiu um projeto entre 1990 e 1995 chamado Paseo Pantera que estabeleceu originalmente o sistema de corredores e que posteriormente se transformou no CBM.
O café, por exemplo, havia crescido tradicionalmente sob a sombra das árvores. Esta classe de café imita a estrutura de um bosque natural e, portanto, proporciona um bom hábitat para a vida silvestre.
Para facilitar a tarefa de monitorar uma área tão extensa a Comissão Centro-americana para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CCAD), incorporou a visão de pássaro dos satélites da NASA como apoio ao monitoramento e conservação.
Crédito e contatos
Autor: Patrick L. Barry
Funcionário responsável da NASA: Ron Koczor
Editor de Produção: Dr. Tony Phillips
Curador: Bryan Walls
Relações com os Meios: Steve Roy
Tradução para o espanhol: Félix Pérez/Carlos Román
Editor em espanhol: Hector Medina
Leave a Reply