Brasil debate controle da água de lastro

O Ministério do Meio Ambiente está promovendo, até 17 de abril, dois workshops internacionais, no Rio de Janeiro, para discutir os problemas causados pela transferência de espécies marinhas exóticas na água usada como lastro nos navios mercantes. O primeiro workshop foi realizado, na Escola Nacional de Botânica Tropical., no Jardim Botânico, na cidade do Rio de Janeiro, de 7 a 11 de abril, sobre Diretrizes e Padrões de Amostragem de Água de Lastro. O segundo está acontecendo até o dia 17 em Arraial do Cabo (RJ), no Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, para debater as Diretrizes e Padrões de Levantamento e Monitoramento de Espécies Aquáticas Invasoras.

O que é água de lastro?

Lastro é definido como qualquer volume sólido ou líquido colocado em um navio para garantir sua estabilidade e condições de flutuação. O termo “água de lastro” refere-se, então, à água coletada nas baías, estuários e oceanos, destinada facilitar a tarefa de carregar e descarregar um navio. Quando um navio está descarregado, seus tanques recebem água de lastro para manter sua estabilidade, balanço e integridade estrutural. Quando o navio é carregado, a água é lançada ao mar. A introdução de espécies marinhas exóticas em diferentes ecossistemas, por meio da água do lastro dos navios e por incrustação no casco foi identificada como uma das quatro maiores ameaças aos oceanos do mundo. As outras três são: fontes terrestres de poluição marinha, exploração excessiva dos recursos biológicos do mar e alteração/destruição física do habitat marinho.

O transporte marítimo movimenta mais de 80% das mercadorias do mundo e transfere internacionalmente 3 a 5 bilhões de toneladas de água de lastro a cada ano. Um volume similar pode, também, ser transferido por ano domesticamente, dentro dos países e regiões. A água de lastro é absolutamente essencial para a segurança e eficiência das operações de navegação modernas, proporcionando equilíbrio e estabilidade aos navios sem carga. Entretanto, isso pode causar sérias ameaças ecológicas, econômicas e à saúde, pois juntamente com o lastro podem ser transportadas algas tóxicas, espécies exóticas e patogênicos como o vibrião colérico.

Existem milhares de espécies marinhas que podem ser carregadas junto com a água de lastro dos navios; basicamente qualquer organismo pequeno o suficiente para passar através das entradas de água de lastro e bombas. Isso inclui bactérias e outros micróbios, pequenos invertebrados e ovos, cistos e larvas de diversas espécies. Estima-se que, o movimento de água de lastro proporcione o transporte diário de pelo menos 7.000 espécies entre diferentes regiões do globo.

Nos Estados Unidos bilhões de dólares já foram gastos para controlar a invasão do mexilhão zebra, o que se traduz como um sinal de alerta para as autoridades brasileiras quanto às reais necessidades envolvidas nesses tipos de invasões.

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Abema tem novo presidente

Alexandrina Sobreira de Moura, secretária-adjunta de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco, é a nova presidente da entidade que articula os Secretários Estaduais de Meio Ambiente do Sisnema – Sistema Nacional de Meio Ambiente, a Abema – Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente. A escolha da nova Diretoria Nacional ocorreu durante Assembléia Geral nessa quarta-feira, na sede do Ibama, em Brasília (DF). O mandato é dois anos, sendo permitida uma reeleição.

Para Alexandrina, a Abema vem trabalhando na direção certa, conquistando espaços nos fóruns de debate e de deliberação em todo o país. No entanto, segundo ela, é necessária maior articulação regional. “Os Estados precisam de mais comunicação, de maior interação política e técnica. Temos boas experiências sendo desenvolvidas em todas as regiões que precisam ser compartilhadas”, ressaltou. “Devemos ainda retomar a Comissão Tripartite sobre Gestão Ambiental Compartilhada, reforçar a presença no Conama, em Câmaras Técnicas, e seguir contribuindo para a efetivação do Sisnama”, salientou a secretária pernambucana.

Invasão

A invasão mais conhecida proporcionada pela água de lastro refere-se ao mexilhão dourado, Limnoperna fortunei, um molusco bivalve originário dos rios asiáticos, em especial na China. Esses moluscos são encontrados, geralmente, fixado a substratos duros, naturais ou artificiais, dos rios asiáticos.

Esse organismo de água doce e salobra foi introduzido no Rio da Prata, Argentina em 1991, avançando pelos rios Paraná e Paraguai, tendo se estabelecido no Pantanal.

Essa invasão silenciosa do mexilhão dourado já vem provocando impactos sócio-econômicos significativos para a economia e a parte da população brasileira, já que entope os filtros protetores das companhias de abastecimento de água potável, exigindo manutenções mais freqüentes; impede o funcionamento normal das turbinas da Usina de Itaipu, com custos espúrios de quase US$ 1 milhão a cada dia de paralisação desnecessária do sistema; força mudanças nas práticas de pesca de populações tradicionais; e prejudica o sistema de refrigeração de pequenas embarcações, fundindo motores.

O que é a Abema?

A Abema é uma sociedade civil de direito privado, criada em 1985, que representa os mais de 40 órgãos estaduais de meio ambiente associados, atuando para fortalecer a participação dos Estados na definição e na execução das políticas ambientais brasileiras. A Associação mantém intercâmbio com outros grupos nos âmbitos nacional e internacional, e ainda promove a cooperação entre seus associados e entidades governamentais e privadas.

Nova diretoria

Presidente: Alexandrina Sobreira de Moura – Secretária-adjunta de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente / PE;

Vice-presidente: Paulo Souza Neto – Secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos / GO;

Secretário-geral: Antônio Rubens Costa de Lara – Diretor da Cetesb / SP;

1º Secretário: Lindsley Rasca Rodrigues – Presidente do Instituto Ambiental/PR;

2º Secretário Othelino Alves Neto – Gerente de Meio Ambiente e Recursos Naturais/DF;

Vice-Sul: José Alberto Wenzel – Secretário de Meio Ambiente / RS;

Vice-Sudeste: Luiz Fernando Schettino – Secretário de Meio Ambiente / ES;

Vice-Centro-Oeste: Marcio Antônio Portocarrero – Secretário de Meio Ambiente, Cultura e Turismo / MS;

Vice-Nordeste: Maria Lúcia Cardoso – Diretora do Centro de Recursos Ambientais / BA;

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