População monitora Tietê

No próximo dia 22 de março, dia mundial da água, a partir das 10hs., a Fundação SOS Mata Atlântica, através do Núcleo União Pró Tietê, reúne representantes da comunidade, entidades ambientalistas, grupos de escoteiros e escolas, para monitorar a qualidade das águas dos rios que integram as Bacias Hidrográficas do Alto e Médio Tietê, em uma ação simultânea nessas regiões.

O monitoramento participativo da qualidade da água marca o início oficial das atividades do programa “Mãos à Obra pelo Tietê”, concebido pela Fundação SOS Mata Atlântica com o objetivo de engajar a sociedade nas ações e acompanhamento da segunda etapa do Projeto de Despoluição do Rio Tietê, desenvolvido pela Sabesp, com recursos do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Os grupos, formados especialmente para o projeto, receberão nesse dia, dos monitores do Núcleo União Pró Tietê, um kit de análise para monitoramento da qualidade da água. A entrega dos kits, com a primeira coleta e monitoramento das águas do rio Tietê, será realizada com orientação dos monitores do Núcleo, em locais escolhidos pelos grupos, em cada uma das cinco sub-bacias do Alto Tietê que compreendem a Região Metropolitana de São Paulo: Billings, Cotia-Guarapiranga, Juqueri-Cantareira, Cabeceiras e Pinheiros-Pirapora. Com participação especial de doze grupos de municípios ribeirinhos do Médio-Tietê, região hidrográfica que recebe os impactos da poluição gerada na parte superior da bacia.

O programa envolverá de forma direta 300 grupos de monitoramento da qualidade da água, formados por escolas da rede pública e privada de ensino, por representantes de associações comunitárias e de entidades organizadas da sociedade civil das bacias do Alto e Médio Tietê.

O monitoramento da qualidade da água é uma das principais ferramentas de sensibilização que a SOS Mata Atlântica disponibilizará à sociedade, por três anos consecutivos, e que integra o componente de educação ambiental da segunda fase do Projeto Tietê.

As cinco sub-bacias:

Sub-Bacia Pinheiros-Pirapora/Pinheiros-Penha:

É uma subdivisão da Bacia do Alto Tietê, possui área de drenagem de 1588 Km² e abrange a totalidade das Zonas Leste, Oeste, Norte e Central e parte da Sul da cidade de São Paulo, além dos municípios de Osasco, Itapevi, Jandira, Barueri, Carapicuíba, Pirapora do Bom Jesus e Santana do Parnaíba. O rio Tietê percorre com curso retificado uma extensão de 86 Km, onde recebe cargas poluidoras dos rios Aricanduva, Tamanduateí, Pinheiros e Juqueri, além de grande carga de efluentes domésticos e industriais de quase toda região metropolitana, o que torna o rio um verdadeiro depósito de esgotos a céu aberto, com uma qualidade de água em estado bastante crítico. É uma região extremamente urbanizada que possui alto grau de dinamismo em seu complexo industrial e de serviços, além de abarcar um enorme contingente populacional, instalados em muitos casos de maneira precária, sem acesso a provisões do poder público, como, por exemplo, coleta de resíduos sólidos e esgotamento sanitário.

Local do monitoramento: UniSantana, Rua Voluntários da Pátria, 411 – 6º andar Ponte das Bandeiras

Monitor responsável: Gustavo Veronesi

Sub-Bacia Juqueri-Cantareira

É a mais importante fonte de abastecimento de água para a cidade de São Paulo, sendo responsável por mais da metade do abastecimento da cidade (55% da água consumida), o que equivale a uma média de 33 m³/s retirados da sub-bacia.

Engloba os municípios de Cajamar, Franco da Rocha, Caieiras, Francisco Morato, Mairiporã e São Paulo. Diferente das áreas da Guarapiranga e Billings, por exemplo, a água do sistema Cantareira é considerada de melhor qualidade, já que em seu entorno ainda existem importantes áreas verdes preservadas, como o Parque Estadual da Cantareira e a Área de Proteção Ambiental de Cajamar.

A maior ameaça à qualidade das águas da sub-bacia está relacionada à ocupação irregular, fruto da especulação imobiliária e por projetos que atrairiam a urbanização descontrolada, a exemplo do Rodoanel. O solo da Cantareira (que em tupi significa Cântaro) é considerado frágil e a perda de vegetação em virtude da ocupação reflete principalmente no assoreamento dos corpos d´água. No local também existe a problemática do despejo de esgoto doméstico.

Local do Monitoramento: Casa Humanista (Franco da Rocha) – Rua Antônio Cardoso Moreira, 190 (Esquina com rua Amilton Prado)

Monitor responsável: Paulo Rodrigues

Maiores informações sobre o Núcleo Pro Tietê, programas e atuação, acesse:

www.rededasaguas.org.br ou entre em contato com a Fundação SOS Mata Atlântica – Núcleo União Pro Tietê – 11 3887 -1195 ramal 52.

Água – bem público universal

A água como bem público universal será o foco dos debates do Simpósio Internacional que a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), promoverá de 20 a 22 de maio de 2003, em sua sede na cidade de São Leopoldo (RS). Entre

os palestrantes estarão o professor Riccardo Petrella, secretário geral do Comitê Internacional para o Contrato Mundial da Água e autor do livro O Manifesto das Águas – Por um Contrato Mundial, e a indiana Vandana Shiva, pós-doutora em Filosofia da Ciência e fundadora do Research Foundation for Science, Tecnology and Ecology, da Índia, onde acontecerá o próximo Fórum Social Mundial.

O evento também contará com dezenas de oficinas e minicursos. Os principais objetivos do encontro são discutir o acesso aos recursos hídricos como direito

humano fundamental, apontando saídas para um consumo mais racional da água. Confira a programação completa no endereço:

www.humanas.unisinos.br/simposio/agua

Água na Bacia

No próximo dia 22, sábado, a partir das 15h, o Fórum Permanente do Caxambu (Jundiaí-SP) realiza uma tarde de atividades sócio-ambientais, comemorando o Dia Mundial da Água. O evento, batizado de “Água na Bacia!” acontece na Sociedade Esportiva Caxambu, tradicional clube do bairro, e será aberto ao público, inclusive não-sócios. Estão programadas atrações como música ao vivo, com bandas da região, oficinas de reciclagem, artesanato, exposição de mapas, fotos, materiais informativos e produtos da região, apresentação de capoeira, contadores de histórias, brincadeiras com as crianças e trilha no bosque do Clube.

Durante o evento também será lançado o projeto “Ribeirinhos do Mirim”. Segundo os organizadores, o objetivo é divulgar o conceito de afinidade com o Rio Jundiaí-Mirim, aproximando o homem que vive na Bacia da idéia de população ribeirinha, numa relação de respeito e carinho com o pequeno rio que a atravessa e as dezenas de riachos que compõem sua riqueza.

O que é o Fórum

Criado a partir do I Encontro Ambiental do Caxambu, realizado em outubro de 2002, o Fórum Permanente da Área de Proteção aos Mananciais – Bacia do Rio Jundiaí Mirim é formado por um grupo de voluntários que se reúne mensalmente para discutir problemas ligados à questão da Água. Os encontros acontecem na sede da SEC, que apóia o Fórum, e atualmente contam com a participação de ambientalistas, técnicos e moradores do bairro. Informações sobre o Fórum e o Dia Mundial da Água pelo fone 011 4584-1848, na secretaria do Clube ou pelo e-mail: interhior@bol.com.br.

Outras sub-bacias

Sub-Bacia Cotia-Guarapiranga

Possui uma área de drenagem de 965 Km² e abrange quase toda a zona Sul de São Paulo, além dos municípios de Cotia, Taboão da Serra, Itapecerica da Serra, Embu, Embu-Guaçu e uma pequena parte de São Lourenço da Serra. Apresenta dois reservatórios de grande importância para a metrópole. A represa da Guarapiranga, na zona Sul de São Paulo representa uma participação máxima de 12m3/s no abastecimento de água. O reservatório Pedro Beicht, na região de Cotia, contribui com 800L/s.

Na 2ª fase do Projeto Tietê, essa é uma das regiões mais atendidas por obras ligadas à coleta e tratamento de esgoto. Próxima à região da Guarapiranga há uma grande pressão antrópica relacionada às ocupações irregulares, muitas dessas relacionadas com as problemáticas de despejo de esgoto, sem tratamento, nos corpos dágua e assoreamento dos mesmos. Em contrapartida, a sub-bacia ainda reúne remanescentes de Mata Atlântica. Local do monitoramento: Parque Francisco Rizzo (Parque do Lago) – Embu. Monitor responsável: César Pegoraro.

Sub-Bacia Billings-Tamanduateí

Possui área de drenagem de 560 km² e abrange os municípios de Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires, Mauá, Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e a região Sul de São Paulo na zona de Santo Amaro. Embora a degradação por esgoto doméstico e industrial seja significativa, o que mais afetou as águas da Billings foi o bombeamento contínuo dos esgotos do Rio Pinheiros, que tinha seu curso revertido para dentro da represa com o objetivo de gerar energia elétrica através da Usina de Henry Boden. Essel processo foi interrompido em 1992, mas ainda hoje quando as enchentes do Tietê fazem o rio atingir mais de 160 m³/s de vazão, suas águas poluídas voltam a ser bombeadas para a Billings.

A pressão antrópica é grande e relacionada também às ocupações irregulares, mas pode-se dizer que a Billings está dividida em “duas” represas: uma mais poluída, que recebeu o esgoto do Pinheiros no passado; outra, “protegida” por obras físicas de compartimentação e pela Via Anchieta, onde as águas são destinadas para abastecimento público. Local da atividade: Universidade Metodista – SBC. Monitor responsável: Virgilio Farias

Sub-Bacia das Cabeceiras do Tietê

Composta por afluentes e pelo Tietê, reúne águas que banham os municípios de Salesópolis, Biritiba-Mirim, Mogi das Cruzes, Suzano, Poá, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos e Guarulhos. Há duas formas características de poluição do rio nessa região: primeiro, a área próxima a suas nascentes que é basicamente rural (de onde provêm grande parte das verduras da Grande São Paulo, na área conhecida por “cinturão verde”) é responsável pelo impacto por agrotóxico; já em direção ao leste, há emissão de poluentes industriais, principalmente nos municípios de Mogi, Suzano e Guarulhos.

Em Salesópolis, município onde estão localizadas as mais de 7 mil nascentes que compõem o Tietê, o esgoto é 100% tratado. Ainda assim, a cidade sofreu uma das piores enchentes de sua história em 2002, devido à urbanização do entorno de um dos afluentes do Tietê, o rio Paraitinga. Local do monitoramento: Mogi das Cruzes – beira do rio Tietê. Monitora Responsável: Celly Kelly Neivas dos Santos.

O Médio Tietê:

Compreende os municípios ribeirinhos do Tietê localizados abaixo do município de Pirapora do Bom Jesus e que são afetados direta e drasticamente pela poluição gerada na região metropolitana de São Paulo. Reúne estâncias turísticas e cidades de médio e pequeno porte que ainda mantêm tradições culturais, religiosas e folclóricas ligadas ao rio, apesar da sua degradação.

Apesar da capacidade de autodepuração do rio, da contribuição de afluentes menos poluídos e das corredeiras que oxigenam as suas águas, os efeitos da poluição são percebidos e afetam a vida e a economia dessa região do estado de São Paulo, até o reservatório de Barra Bonita. O monitoramento permanente da qualidade da água em municípios dessa sub-bacia, desde 1993, através do Observando o Tietê, possibilita acompanhar os avanços do Projeto de Despoluição, ainda que de forma lenta e gradativa, através de indicadores que são percebidos pela comunidade. Local do monitoramento: Núcleo de Ed. Ambiental da Fundação SOS Mata Atlântica, Estrada Parque APA Rio Tietê, Rodovia SP 312, km 82,5, município de Itu. Monitora responsável: Malu Ribeiro.

Leave a Reply

Your email address will not be published.