Ecossistemas em perigo em todo o mundo

Ecossistemas ribeirinhos

Os ecossistemas ribeirinhos estão em perigo praticamente em todo o mundo. Esta situação se deve ao desenvolvimento insustentável e ao uso impróprio e abusivo dos recursos limitados de água doce. Mais da metade dos rios mais caudalosos do mundo estão fortemente contaminados e/o secam antes de chegar ao mar por causa do uso indevido da água, segundo a Comissão Mundial da Água para o Século XXI.

Dos 500 maiores rios do mundo, 250 se encontram seriamente contaminados e com sua vazão reduzida pela super-exploração.

A contaminação e o mau uso das bacias hidrográficas provocaram em 1998/99 o desalojamento de 25 milhões de refugiados por causas ambientais.

Cada dia, 2 milhões de toneladas de despejos provenientes da atividade humana vão parar nos rios.

Cerca de 40% da massa de água analisada nos Estados Unidos em 1998 foi considerada não apta para uso recreativo devido à contaminação por nutrientes, metais e atividades agrícolas. Só 5 em cada 55 rios na Europa são considerados não contaminados, e unicamente a parte alta dos 14 rios mais importantes gozam de um “status ecológico satisfatório”. Na Ásia, todos os rios que atravessam cidades estão gravemente contaminados.

Entretanto, os dois sistemas de bacia mais importantes do mundo – a Amazônica, que irriga uma imensa área de América del Sul, e a do Rio Congo, seu equivalente na África Sub-sahariana, – permanecem relativamente salubres. A razão principal: ambos contam com poucos centros industriais ou de população em suas bacias. Entre os problemas mais graves dos rios do mundo inteiro se encontram:

O Rio Nilo, no Egito.. Só 10 % das águas do Nilo alcançam alguma vez o Mar Mediterrâneo e, esta pequena quantidade, chega gravemente contaminada por despejos agrícolas, industriais e municipais. O resultado: as possibilidades de pesca no Delta vêm diminuindo. Das 47 variedades de pescado destinado ao comércio que se existiam no Delta há 30 anos, só restam 17.

O Rio Amarelo, na China. Durante a última década, o Rio Amarelo não tem chegado ao Mar Bo Hai durante três ou quatro meses ao ano, em média. Os Rios Amu Darya e Syr Darya, na Ásia Central. O fluxo destes dois importantes rios que uma vez alimentaram o Mar de Aral, que margeia o Kasaquistão e o Uzbequistão, na Ásia Central, teve a vazão diminuída em 3/4 desde o final dos anos 60. Como conseqüência, a linha litorânea do mar retrocedeu mais de 100 km, perdendo-se assim 2/3 de seu volume.

O Rio Colorado, EUA. O rio chega com pouca água ao Golfo do México desde que muitas das águas que lhe davam vida foram desviadas com sifões para a irrigação. O rio, que já teve um delta fértil, é agora uma terra estéril e ressecada onde nenhuma vida aquática sobrevive.

Meio século de destruição das áreas úmidas

Durante os últimos 50 anos aconteceu a maior parte da destruição das áreas úmidas que foram perdidas no mundo. Devido ao fato de que estas zonas férteis protegem a riqueza da fauna, seu desaparecimento tem contribuído diretamente à erosão da biodiversidade e à perda de espécies.

Citemos um exemplo: Estados Unidos. Desde a declaração da independência há 200 anos, os 48 estados do sul perderam mais da metade de suas áreas úmidas por causa do desenvolvimento. As áreas úmidas foram sendo reduzidas gradualmente a um ritmo implacável – passando de 200 milhões de hectares em 1780 a 100 milhões de hectares em 2000 – una perda de 247 milhões de acres. No total, 22 estados perderam mais de 50 % de suas áreas úmidas, enquanto que sete estados – Indiana, Illinois, Iowa, Missouri, Ohio e Califórnia – perderam mais de 90%.

Em algumas zonas da Europa, como França e Alemanha, 80 % das áreas úmidas desapareceram durante o último século. A água das áreas úmidas é utilizada para a agricultura, a expansão urbana e o desenvolvimento industrial. As áreas úmidas estão contaminados por efluentes dos cultivos, das fábricas e dos resíduos municipais, são pavimentadas para construir estradas, viram fonte de extração de turfa, estão invadidas por espécies não nativas e maltratadas pelos animais que pastam nelas.

Em um esforço para conservar as áreas úmidas de importância internacional que restam no mundo, foi assinada uma Convenção sobre as áreas úmidas em Ramsar, Irã, em 1971. Se trata do único tratado ambiental que se ocupa de um ecossistema específico e foi o primeiro a vincular a conservação dos recursos naturais com seu uso sustentável. Como todo tratado intergovernamental, abrange um marco comum de ação nacional e cooperação internacional para a preservação e a gestão dos ecossistemas de áreas úmidas.

Desde novembro de 2000, 133 signatários subscreveram a Convenção de Ramsar que atualmente conta com 1.224 áreas úmidas protegidas, o que corresponde a cerca de 8% das áreas úmidas do mundo, – aproximadamente 105,8 milhões de hectares – uma área maior que a superfície de Portugal.

Em sua origem, a idéia principal era proteger o hábitat das aves aquáticas. Entretanto, o alcance da Convenção se ampliou até incluir áreas úmidas costeiras tais como mangues, arrecifes de coral e leitos de plantas marinhas, tanto por sua biodiversidade como pelo bem-estar das comunidades humanas. O problema é que muitos destes locais estão ameaçados pelas pressões do desenvolvimento. A inclusão de uma área úmida na Lista da Convenção de Ramsar não garante sua proteção. Os governos nacionais necessitam respaldar seu compromisso com uma legislação e sistemas de gestão apropriados.

Inundações e secas

Durante a última década, o número de secas e inundações vem aumentando tragicamente, devido à deterioração das condições ambientais e às mudanças climáticas globais por causa do incremento do efeito estufa por emissões de gás.

Quase todos os sistemas fluviais do mundo foram alterados pelas atividades do homem. O desvio dos rios e a excessiva extração de água têm contribuído para isso e vêm agravando as condições de seca das terras áridas do mundo. Esta situação está piorando por causa da perda de cobertura arbórea nas bacias, pois as árvores e outras vegetações ajudam a absorver e armazenar a água durante a estação úmida para que estejam disponível durante a estação seca.

Muitos rios já não alcançam seus deltas durante os períodos secos. O Colorado, o Huang-él (Rio Amarelo), o Ganges,o Nilo, o Syr Darya e o Amu Darya, entre outros, ficam sem água em sua parte mais baixa durante a estação seca – alguns permanecem secos a metade do ano ou até mais tempo. A transformação de áreas úmidas em terras agrícolas e urbanas também tem empobrecido a capacidade destas esponjas naturais de absorver e armazenar o excedente de água durante a estação chuvosa. Isto significa, segundo o Instituto de Recursos Mundiais, que agora as secas são mais freqüentes e severas nas terras áridas, ao mesmo tempo em que a intensidade e freqüência das inundações aumenta, sobretudo nas regiões do mundo mais propensas a elas.

Fonte: People and the Planet

Os lagos

Cerca da metade dos lagos do mundo estão degradados pela atividade humana.

Entre as principais ameaças se incluem a pesca excessiva, a contaminação, a introdução de espécies exóticas e a degradação do hábitat por seu crescimento demográfico assim como a expansão das cidades e o impacto das atividades industriais e agrícolas. Os lagos de todos os continentes estão afetados.

Um estudo recente sobre os 344 locais da Lista de Ramsar – que incluem ecossistemas de áreas úmidas e lagos – mostrou que 84% deles estava sofrendo mudanças ecológicas ocasionadas pela drenagem para a agricultura e o desenvolvimento urbano, a contaminação, as espécies intrusas e o lodo.

Além disso, as redor de 2025 cerca de 3,5 bilhões de pessoas – 48 % da população mundial estimada – viverá em áreas úmidas que sofrerão escassez de água. Enquanto continuar a extração de água para uso humano e a maioria for devolvida aos lagos e rios gravemente contaminada haverá menos água disponível para manter a vida nos ecossistemas de água doce. Na China, por exemplo, 100 lagos estão tão gravemente contaminados que 70% de seu volume de água é composto de resíduos municipais e industriais não tratados. Os exemplos a seguir ilustram a problema:

O Grande Lago de Camboja, Tonle Sap, armazena um excesso de lodo ocasionado pelo desflorestamento de suas áreas úmidas. As estruturas construídas pelo homem, incluindo retenções e represas, têm prejudicado a piscicultura, perturbado os ciclos de inundações naturais e devastado as colheitas de arroz. O lago Manágua, Nicarágua, foi declarado “biologicamente morto” devido à quantidade de águas residuais não tratadas e de resíduos municipais vertidos no lago desde 1925.

O lago Ichkeul, ao norte de Túnis, está ameaçado pelos planos para desviar os rios que alimentam o lago com a finalidade de levar água a Túnis e a outras zonas da região. O lago Manzala, no Egito, está atualmente desprovido de peixes devido aos venenos industriais despejados nos anos 70 como resultado da expansão do Porto.

O lago Victoria carece de oxigênio abaixo dos 30 metros de profundidade a causa dos 2 milhões de litros de águas residuais sem tratamento que são descarregadas no lago cada ano na Tanzânia. As espécies intrusas, como a perca e a tilapia do Nilo substituíram a maioria das espécies nativas, que foram reduzidas de 85% da biomassa a menos de 5% na atualidade. As fábricas contaminantes lançam 74 milhões de metros cúbicos de resíduos no Lago Baikal, da Sibéria.. Nos anos 90 20 km² do fundo do lago registraram níveis de oxigênio baixíssimos, devido à contaminação.

O estado dos lagos de água doce do mundo reflete os mesmos problemas que preocupam sobre áreas úmidas y rios. Sem um plano de gestão integrada os recursos de água doce continuarão sua deterioração.

Fonte: People and the Planet – Programa Mundial de Avaliação dos Recursos Hídricos

Exemplos recentes

As inundações que aconteceram na Ásia em 1998 causaram 7.000 mortes, danificaram mais de 6 milhões de casas e destruíram 25 milhões de hectares de cultivo em Bangladesh, China, Índia e Vietnã.

Em setembro de 2000 as inundações e deslizamentos de terras no Japão forçaram a evacuação de 45.000 pessoas; durante 24 horas se produziu a maior precipitação de chuva jamais registrada desde o início dos registros em 1891.

Em setembro de 2000, fortes chuvas no Sudeste Asiático provocaram inundações sem precedentes ao longo do Rio Mekong e de seus afluentes. Os danos contabilizados foram:

– Inundação de partes do norte de Tailândia, o que ocasionou danos a mais de meio milhão de hectares de cultivo;

– quase meio milhão de pessoas no Delta do Mekong (em Camboja e Vietnã) tiveram que abandonar suas casas;

– No Camboja, as cheias originadas pelas inundações cobriram cerca de 400.000 hectares de cultivo; foram distribuídas provisões de emergência a 1,4 milhões de pessoas;

– No Laos, mais de 18.000 famílias tiveram que ser evacuadas das zonas inundadas e as enxurradas causaram graves danos a 50.000 hectares de cultivo.

A Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para Ásia e o Pacífico (CESPAP) atribuiu as inundações (e secas) na região ao vasto desflorestamento das bacias, às práticas de gestão do solo, à conversão em solo utilizável das áreas úmidas e planícies inundáveis e à rápida expansão das áreas urbanas.

Com efeito o vaivém das secas seguidas de inundações, é cada vez mais grave, segundo a ONU. A principal razão é a destruição de bosques e áreas úmidas. Mas se as mudanças climáticas continuarem estes ciclos destrutivos serão cada vez mais devastadores.

Fonte: People and the Planet

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