
O novo Secretário Nacional de Saneamento, do Ministério das Cidades, é o engenheiro sanitarista Abelardo de Oliveira Filho, Secretário de Saneamento da FNU/CUT, Coordenador Geral do SINDAE/Bahia e Diretor no Brasil da ISP – Internacional de Serviços Públicos. O anúncio será feito hoje às 9h30min. pelo Ministro Olívio Dutra.
Interessado pelas questões institucionais do Saneamento Abelardo de Oliveira Filho publicou, juntamente com Luiz Roberto Santos Moraes, professor e pesquisador do DHS/UFBA e Consultor Especial da FNU-CUT, um trabalho sobre Política e Regulação, além de outros estudos como o intitulado Terra, Planeta Água em que faz uma radiografia do tema Água defendendo “a gestão pública da água, com controle social, além de uma política de saneamento articulada com outras políticas públicas de saúde, recursos hídricos e meio ambiente, habitação, desenvolvimento urbano e educação, de forma a ser enetendida como uma ação de saúde pública, somada ao planejamento global da infra-estrutura dos aglomerados populacionais”.
Ênfase ao abastecimento dos pobres
Cerca de 1/5 da população abastecida por empresas do grupo Ondeo – 9 milhões de pessoas, em dez cidades do Terceiro Mundo – são de baixa renda e a experiência vem se ampliando principalmente nos países da América Latina, Ásia e África.
Uma parte do trabalho de melhorar a situação do abastecimento de água a essas populações é feito pela engenheira brasileira Fátima Carteado, uma das diretoras da Lysa, empresa de assistência técnica e operação de sistemas do Grupo Ondeo. Ela ressalta a importância da experiência que teve ao atuar na área operacional no Brasil, antes de trabalhar em uma empresa multinacional: “Quem me deu a régua e o compasso foi a Embasa”, reconhece essa especialista baiana que viaja pelo mundo inteiro – o escritório é em Paris, mas a casa são os hotéis dos cinco continentes.
Em busca de novos mercados para seus produtos e serviços o grupo francês se deparou com a nova realidade do Terceiro Mundo, com grande parte da população situando-se na zona de baixa renda.
Uma das primeiras experiências do Grupo Ondeo em áreas de baixa renda, em 1998, foi na Bolívia no momento em que assumiu a concessão de La Paz e se comprometeu a abastecer a localidade de El Alto, onde mais de 70% dos 60 mil habitantes vivem abaixo da linha da pobreza.
Entre as alternativas utilizadas para a implantação dos serviços está a participação dos membros da comunidade no projeto e instalação das redes, concessão de microempréstimos para a rede internas e a realização conjunta de programas de organização da vida dos aglomerados urbanos, inclusive de educação ambiental.
A experiência da Bolívia
Quando assumiu os serviços em El Alto, na Bolívia, apenas 50% da população da localidade contavam com rede de água e 30% dispunham de rede coletora da esgoto. Segundo os técnicos da empresa ao final da implantação dos serviços ficou demonstrado que o custo da intervenção social (5 a 20% do custo total) foi amplamente compensado pela economia conseguida com a participação da comunidade na implantação das redes de água e esgoto.
A população correspondeu no que se refere à manutenção e conservação do sistema que ajudou a implantar. A intervenção social propiciou uma elevada participação fazendo com que 57.000 casas (das 60.000) estivesse ligadas à rede até o final do ano 2000.
Fátima enfatiza que, ao contrário do que muita gente pensa, os pobres têm muita responsabilidade e cumprem religiosamente seus compromissos no pagamento das contas de água. “Para eles ter água encanada, de qualidade, é uma bênção. Eles a valorizam muito”.

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