Congresso exorta comunidades a defenderem os rios

Foto: Patrícia Zerlotti

A participação da comunidade é dos principais fatores para a preservação dos recursos hídricos defenderam os participantes do II Congresso da Coalizão Rios Vivos, evento realizado na cidade de Goiânia (GO). Na plenária do dia 7 de dezembro foi eleita a nova coordenação do movimento que engloba entidades e ONGs de vários países do mundo. As entidades e os representantes que compõem a nova coordenação respectivamente são: Foro de Ecologistas Del Paraná – Jorge Daneri; Fundacion Proteger – Jorge Cappato; Sobrevivencia – Oscar Rivas; Redes – Karin Nansen; Cerdet – Miguel Castro; Ecoa – Ecologia e Ação – Alcides Faria; Núcleo Amigos da Terra – Lúcia Ortiz; Taller Ecologista – Elba Stancich; Both Ends – Tamara Mohr; e mais duas organizações indígenas que serão indicadas pelo Comitê Indígena da Coalizão e uma organização dos Estados Unidos, que também será indicada pelas entidades que estado-unidenses que compõem a Coalizão.

Os ambientalistas ainda lançaram ao final do evento a “Declaração de Goiânia”, com as sugestões dos congressistas para o Plano de Ação dos próximos cinco anos da Coalizão Rios Vivos.

Durante o encontro foi apresentado o Programa Águas sob a coordenação do hidrólogo Elíaz Dias Peña, da ONG Sobrevivência Amigos dela Tierra/Paraguai. Elíaz falou sobre alguns trabalhos do Programa, como a pressão junto às instituições públicas com relação aos megaprojetos que envolvem as bacias hidrográficas e a pesquisa sobre os problemas que esses empreendimentos podem acarretar.

O primeiro subprograma apresentado foi sobre o Aqüífero Guarani, o maior reservatório subterrâneo de água do doce do mundo, exposto pelo membro do Foro Ecologista Del Paraná, Alfredo Serra. Em seguida, Rafaela Nicola, da ONG Ecoa, falou sobre o subprograma Áreas Úmidas. Ela disse que o objetivo desse subprograma é promover a conservação, a restauração e o uso sustentável das áreas úmidas. Algumas das linhas de trabalho, são a criação de unidades de conservação, a busca de participação social e a mobilização de organismos nacionais e regionais.

Jorge Capatto, da Fundación Proteger, da Argentina, falou sobre o subprograma Pesca Continental. Este trabalho tem como objetivo assegurar a sustentabilidade da atividade pesqueira, em equilíbrio com o uso dos recursos naturais e sua conservação. Nesse sentido, o subprograma busca fazer com que as comunidades de pescadores participem das discussões sobre as problemáticas que envolvem a questão da pesca.

O principal problema enfrentado por essas comunidades é o impacto provocado pelos megaprojetos, como as hidrovias e as hidrelétricas. Hoje os ambientalistas e povos indígenas estão reunidos em grupos de trabalho para incorporar propostas ao Plano de Ação da Coalizão Rios Vivos para os próximos cinco anos.

Ações concretas em defesa do meio ambiente e de um modelo de desenvolvimento social e econômico sustentável. Assim podem ser definidas as experiências que nove ONGs, cooperativas e fóruns testemunharam, durante a programação do II Congresso da Coalizão Rios Vivos, que aconteceu em Goiânia, no Augustus Hotel. Cada testemunho foi um exemplo de como é possível buscar um novo modelo de desenvolvimento através de trabalhos de informação e conscientização de comunidades, mobilizações, pressões políticas e outras formas democráticas de luta.

O primeiro trabalho exposto foi o projeto pesca, da Fundação Proteger, da Argentina. Nessa exposição, foi enfocada a situação das comunidades pesqueiras da bacia do Prata, prejudicados pelas grandes empresas exportadoras de pescado. Na segunda apresentação, foi contada a história da Cooperativa de Eletrificação Rural de Erexim, no Rio Grande do Sul. Fundada em 1969, através da mobilização de um grupo de agricultores do norte do Estado, a cooperativa atende cerca de 6 mil associados, a maioria pequenos agricultores.

A terceira exposição foi de um trabalho desenvolvido no Vale do Jequitinhonha, por um grupo de professores e acadêmicos da Universidade Federal de Minas Gerais. O trabalho mostra como é possível mobilizar e conscientizar uma comunidade para que tenham condições de fiscalizar e discutir os empreendimentos governamentais e privados projetados para a região onde ela vive. Após uma ação efetiva do grupo da universidade, a comunidade local teve condições de lutar contra a construção de uma grande barragem para a construção de uma hidrelétrica, o que iria causar danos irreversíveis ao meio ambiente e prejudicar diretamente as populações do vale.

RGS debate Política de Saneamento

A Secretaria de Obras e Saneamento do Rio Grande do Sul promove no dia 11 de dezembro um seminário sobre Política Nacional de Saneamento Integrado e de Infra-estrutura Hídrica, no auditório do Tribunal de Contas, em Porto Alegre.

Entre as palestra previstas para a parte da manhã estão:

Palestra do ministro da Integração Regional, Luciano Barbosa;

A Política Nacional de Saneamento e Recursos Hídricos – A Integração das Políticas Setoriais – Jerson Kelman , presidente da ANA;

As palestra da tarde são as seguintes:

Política Nacional de Saneamento – Meios de Financiamento, Geração de Emprego e Melhoria da Qualidade de Vida no Meio Urbano e Rural, Marcos Thadeu Abicalil – coordenador do Programa de Modernização do Setor de Saneamento (PMSS);

Sistema Estadual de Saneamento Ambiental – Edson Silva – secretário de Obras e Saneamento do Rio Grande do Sul;

Elementos para uma Política de Infra-estrutura Hídrica – O Território, a produção e a produtividade – Edson Zorzin – diretor do Departamento de Desenvolvimento Hidroagrícola do Ministério da Integração Regional.

Araguaia-Tocantins

A quarta e a quinta exposições foram experiências desenvolvidas no Centro-Oeste. A primeira foi da Agrotec (Centro de Tecnologia Agroecológica de Pequenos Agricultores), uma cooperativa criada no Oeste Goiano através da qual foi desenvolvido um trabalho diversificado que compreende a criação de animais silvestres, coleta de frutos e cultivo de plantas medicinais. Todo esse trabalho é desenvolvido sem a vegetação de cerrado da área da cooperativa seja modificada.

O Comitê Águas Vivas no Araguaia, grupo mato-grossense ligado à Igreja Católica, mostrou seu trabalho junto aos sertanejos e indígenas que vivem às margens do Rio Araguaia. Agora, principal meta do Comitê, cujo os integrantes nas décadas passadas atuaram contra a abertura de fazendas de gado na região, é impedir a construção da hidrovia Araguaia-Tocantins.

Em seguida foi mostrada a experiência do Fórum Karajás, que discute a questão da extração de ferro e outros minérios na Bacia do Araguaia-Tocantins, bem como a construção de barragens e a monocultura de soja no Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará. A sétima apresentação foi de um representante da organização campesina do norte da região oriental do Paraguai. Ele falou dos problemas enfrentados pelas famílias de pequenos agricultores que vivem na região diante dos latifundiários que desmatam extensas áreas para plantio de grãos.

A penúltima apresentação foi da organização Luta pelo direito à Água, de Santa Fé, na Argentina. Essa organização desenvolve um trabalho de conscientização da sociedade sobre a importância da preservação dos recursos naturais. Por último, Peter Harmman Codeff, do Chile, apresentou o vídeo de um documentário chamado Corazón Verde, sobre a região da Patagônia. O documentário mostra os danos causados pela construção de represas por uma empresa de alumínio instalada na região.

Os representantes de organizações não governamentais e povos indígenas que participaram do II Congresso Rios Vivos realizaram uma manifestação em Goiânia, (GO). A intenção foi levar para rua o que estava sendo discutido no Congresso e mostrar para a população a possibilidade de um desenvolvimento sustentável para a América Latina.”Queremos compartilhar a diversidade da Rios Vivos”, disse Lúcia Schild Ortiz, uma das organizadoras da manifestação. Durante o ato os ambientalistas chamaram a população de Goiânia para participar das discussões.

Museu no Parque

No último domingo (8/12), das 10h às 16h, o Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul realizou mais uma edição do projeto “Ciência na Praça”. Pesquisadores e profissionais de educação ambiental promoveram oficinas sobre a biodiversidade gaúcha, junto ao Brique da Redenção. O público pode ver de perto exemplares de coleções do Museu de Ciências, como moluscos, fósseis, répteis, anfíbios, insetos, vegetais, crustáceos, peixes, aranhas e esponjas. As algas poderão ser vistas através de microscópio. As crianças participaram de atividades lúdicas, como pintura e palavras cruzadas, sobre os temas abordados na exposição.

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