OMS lança guias para águas recreativas

Com base em uma avaliação dos estudos epidemiológicos, realizados em nível mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, no XXVIII Congresso da Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental, que se realizou em Cancun (México), o lançamento da proposta de Guias para Ambientes Seguros em Águas Recreativas, incluindo padrões para águas costeiras e doces, piscinas, spas e ambientes similares.

Os guias são diretrizes que orientam o monitoramento da qualidade das águas sob o ponto de vista da contaminação com o objetivo de preservar a saúde dos usuários, especialmente em regiões turísticas, como é o caso da maioria das regiões litorâneas da América Latina.

Os especialistas que participaram do painel sobre o Guias para Ambientes Seguros ressaltaram a importância de um trabalho continental para assegurar a qualidade das zonas litorâneas e destacaram o esforço da OMS que pela primeira vez em sua história está lançando Guias para essa área. Segundo o Pnuma, somente na América Latina o gasto anual com o tratamento das doenças causadas principalmente pela contaminação bacteriológica das águas costeiras ultrapassa a US$ 16 bilhões.

Especialmente para regiões como Cancun, no Caribe mexicano, a preocupação com a preservação ambiental ameaçada pelo crescimento vertiginoso do turismo já se traduziu em regramentos mais rigorosos, como a exigência de EIA/Rima para empreendimentos de lazer. Outra proposta que está sendo posta em prática é a certificação ambiental para as municipalidades pois é nestas localidades que se verifica o maior impacto referente ao aumento sazonal de fluxos turísticos. Como ressaltou o engenheiro Carl-Axel Soderberg, nenhuma ação nestas regiões, por menor que seja, deixa de ter impacto ambiental.

Os Guias podem ser consultados nos seguintes endereços:

www.who.int/Watersanitation-health/RecreationalWater/eosdraft9814.htm

e

www.who.int/Watersanitation-health/RecreationalWater/ws01-2.pdf

Outro documento utilizado para avaliar o monitoramento e controle dos ambientes de águas recreativas é o Protocolo de Annapolis, disponível em: www.epa.gov/microbes/annapl.pdf

Sem esgoto

As regiões mais atingidas pela contaminação das águas costeiras são justamente as zonas balneárias do continente latino-americano uma vez que somente 14% de todo o esgoto coletado recebe tratamento. Especialmente na zona caribenha um outro impacto é o esgoto dos navios de cruzeiro que em época de temporada congestionam a região.

Conforme Soderberg está em debate um Código de Ética Ambiental para tentar disciplinar estas fontes difusas de poluição.

Caribe hispânico

Segundo o Informe Regional sobre Avaliação 2000 de Água e Saneamento da Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) o grupo integrado por Belize, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Nicarágua, Panamá, Porto Rico e República Dominicana, com cerca de 65 milhões de habitantes, tem 78% de atendimento em água e 77% em esgoto com apenas 23% de tratamento. Mesmo esse percentual baixo de tratamento é o mais alto de toda a América Latina e Caribe.

Mercado em expansão

Muitas empresas de consultoria e obras de Saneamento do Brasil têm marcado presença na América Latina região que representa um mercado que vem apresentando crescimento também na venda de materiais, especialmente canalizações, louças e metais sanitários.

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