Luzes, ferramentas e referências em mudanças de paradigmas

Demóstenes Romano Filho, Patrícia Sartini e Margarida Maria Ferreira

Os estudiosos e os observadores de comportamento humano sabem que, geralmente, nós somos a expressão daquilo que acreditamos ser “a verdade”e/ou daquilo que adotamos como mais conveniente ao que julgamos mais confortável a nós nos aspectos emocional, social, econômico e profissional.

Exemplos disso? Quem se compromete com o “clichê” palavra de rei não volta atrás” costuma ser o tipo de pessoa que tem dificuldade em reconsiderar posições, em admitir falhas, em “dar o braço a torcer”, sem perceber, em primeiro lugar, que ela não é rei; em segundo, que hoje existem pouquíssimos reis, talvez porque os muitos que existiam pensassem mesmo assim ou deixassem que os súditos acreditassem nessa inconveniência; e, em terceiro, o que pode ter dado origem à história de que “palavra de rei não volta atrás” é que um rei forte e autoritário sempre fazia valer sua nova e última palavra, ainda que ela fosse conflitante e superposta ao que ele havia dito antes, o que o liberava de voltar atrás.

Quem acha que “manda quem pode e obedece quem tem juízo” tende a querer dominar quem ele considera “inferior” e a aceitar dominação de quem ele considera “superior”. Este tipo de pessoa tem dificuldade em dialogar, é pouco recomendável para negociar e sofre quando precisa ser minimamente liberto ou minimamente libertador.

“Cada macaco em seu galho” e “macaco que mexe quer chumbo” são “clichês” comportamentais de quem prefere se omitir e se isolar. E, assim, outros “clichês” se somam a esses, influenciando nossas decisões, moldando nossas ações, padronizando nossas reações.

Como mudar comportamentos? Como “quebrar” clichês?

O que fazer para mudar tanta gente?

Em resposta a estas perguntas, primeiro devemos ter disciplina metodológica para priorizar o “por quê?” antes do “como?” e o “como?” antes do “o que?”

Então, “por que quebrar clichês? “, “Por que mudar de paradigmas?”, “Por que procurar outros jeitos de ver, sentir e cuidar de gestão de Águas e de gestão de Gente?” As respostas são da Razão e da Emoção, porque os jeitos de ver, sentir e cuidar, vigentes, estão produzindo muito e eliminando pouco angústias, sensação de incompetência, impossibilidades de ação, pobreza, violência, poluição, esclerosamento dos sistemas, descrenças, desconfianças, incredulidade, desesperanças, etc, etc, etc.

Para quem estiver interessado nas respostas a essas indagações e empenhado em mudanças de comportamento, aqui vão algumas luzes, ferramentas e referências.

Mais uma vez, raramente são os novos paradigmas que nos despertam para mudanças e para transformações: a crença em transformações, a vontade de transformar e o compromisso ético, existencial e espontâneo de sermos transformadores é que nos levam a buscar novos paradigmas, novos jeitos de ver, sentir e cuidar de gestão das águas e de gestão de projetos sociais.

Mudança

O processo de mudança não é um ato isolado de mudar, mas, muito antes, ele começa na percepção de que mudar é uma ação contínua, semelhante ao sistema respiratório, no qual eu expiro e inspiro o tempo todo, antes que me falte oxigênio e para que não me falte oxigênio. Como acontece conosco em tantas outras situações, os processos de mudanças costumam necessitar de umas sacudidas para “cair fichas” em nossos jeitos de avançar. Como diz um antigo e sábio ditado, “os homens como tapetes: de vez em quando precisam ser sacudidos”.

Uma forma de sacudir sem dor e sem sofrimento é ler, ouvir e prestar atenção nas bobagens, nos equívocos e nos atrasos dos outros e admitir que alguma bobagem estou fazendo, algum equívoco estou cometendo e algum atraso estou vivendo. É só uma questão de procurar, sem culpa, sem autoflagelação, com humildade, com honestidade, querendo evoluir.

Autores

Demóstenes Romano Filho, Patrícia Sartini e Margarida Maria Ferreira são diretores do Instituto de Resultados em Gestão Social, Belo Horizonte. Este texto faz parte do livro Gente Cuidando das Águas, Belo Horizonte, Mazza Edições, 2002. (Interessados em ganhar um exemplar, escrever para Maria do Carmo Zinato: mariacz@ces.fau.edu)

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