
A disponibilidade
A disponibilidade da água se refere tanto à oferta hídrica em um lugar determinado e em uma época do ano, como a possibilidade que têm as populações de contar com água em quantidade e qualidade adequadas. Neste sentido, a disponibilidade tem relação direta com as reservas de água que existem em determinadas regiões. Mas há condicionantes adicionais que fazem com que as situações variem notavelmente de um lugar para outro, tais como:
a distribuição geográfica,
a concentração populacional,
as condições climáticas
os serviços,
as formas de uso, etc.
A água representa 70% da superfície da Terra, mas a maior parte se encontra nos oceanos. Da água que temos no planeta, 97,5% é salgada, só 2,5% é água doce; mas parte dela se encontra inacessível, em forma de calotas de gelo e glaciares situados em zonas polares distantes das populações. Em suma, somente podemos contar com 1% da água do planeta, ainda que não totalmente porque em algumas ocasiões se encontra em forma de vapor d´ água, no subsolo, com difícil acesso ou faz parte dos organismos vivos.
Em que pese tantas limitações, a água que temos poderia ser suficiente com uma boa gestão e se estivesse distribuída de maneira equilibrada. Mas sabemos que há zonas onde a água é tão abundante que chega a produzir catástrofes, enquanto nos lugares desérticos a escassez é dramática.
Outro problema adicional é que a demanda de água cresceu de maneira vertiginosa nos últimos tempos e há grupos que usam água de maneira excessiva em alguns países. Além disso, os processos de contaminação têm ocasionado a perda de muitas fontes de água.
O continente americano possui mais de 30% da água doce existente no mundo. A América Latina é uma das regiões com maiores recursos hídricos, já que a média das precipitações se calcula em 1.500 mm, o que é 50% mais do que a média no mundo; o caudal resultante destas chuvas é calculado em 370.000 metros cúbicos por ano, o que significa que 31% das reservas regionais de água doce chegam cada ano aos oceanos .
A América, comparativamente com o resto do mundo, tem um potencial hídrico importante. Mas há muitas diferenças entre uma e outra região das Américas. A disponibilidade maior se encontra no trópico úmido, mas há extensas zonas desérticas e com graves problemas.
A água é um recurso finito mas, como já foi assinalado, tem a virtude de reciclar-se de maneira permanente através do ciclo hidrológico. Este singular fato nos levava a supor que se tratava de um bem público de livre disponibilidade, com o qual não haveria problemas. Os fatos mostram outra coisa: há escassez.
O desperdício e o consumo de água
O desperdício e o consumo de água
Desperdício é aquela ação pela qual se usa mal, se desaproveita ou se perde uma coisa. Portanto, quando nos referimos ao desperdício da água estamos indicando um conjunto de ações e processos pelos quais os seres humanos usamos mal a água, a desaproveitamos ou a perdemos.
Quando as pessoas desperdiçam algo, negam não só seu valor, mas também expressam uma falta de visão do futuro, já que não estamos conservando o que vamos necessitar para viver. Portanto, desperdiçar água indica falta de clareza sobre a importância fundamental deste valioso recurso para nossa sobrevivência.
O desperdício é ainda mais grave se for considerado que a água não é um bem ilimitado e sua perda pode nos levar a situações críticas de escassez. Devemos lutar contra a escassez e eliminar as situações de desperdício.
Existem várias formas de consumo nas quais se utiliza a água:
o consumo humano ou doméstico
o consumo agrícola
o consumo industrial
o uso em atividades recreativas.
A água para consumo humano ou doméstico se utiliza na alimentação, o asseio pessoal e na limpeza da casa e dos utensílios ou roupas, na lavagem de automóveis e na irrigação de jardins. O consumo médio da água é mais ou menos de 120 litros diários por pessoa. Mas esta quantidade depende das condições de nossa casa, da instituição ou instalações onde trabalhamos e das atividades que se realizam nelas.
Se estima que a distribuição do consumo médio diário de água, por pessoa, é aproximadamente a seguinte:
36% na descarga do banheiro; 31% em higiene corporal; 14% na lavagem de roupa; 8% na rega de jardins, lavagem de automóveis, limpeza de casa, atividades de diluição e outras; 7% na lavagem de utensílios de cozinha, e 4% para beber e alimentação.
Como se pode ver, no vaso sanitário se usa a maior quantidade de água, por isto, se deve buscar equipamentos de baixo consumo para que a quantidade de água descarregada por vez seja a menor possível.
As pessoas acostumadas a receber diariamente água potável às vezes não percebem seu verdadeiro valor e importância e esquecem que um pequeno vazamento ou o mau estado das instalações sanitárias pode ser origem de um enorme desperdício de água e de perda de dinheiro. O cálculo das perdas de água por dia e mês causadas por deterioração é o que segue:
Um cano que pinga desperdiça 80 litros de água por dia; o que equivale a uma perda de 2,4 metros cúbicos ao mês.
Um jorro fino de água, de 1,6 mm de diâmetro, perde 180 litros por dia; 5,4 metros cúbicos por mês.
Um jorro mais forte, de 3,2 mm de diâmetro, perde 675 litros por dia, ou seja, 20,3 metros cúbicos por mês.
Um vaso sanitário em mau estado perde ao dia 5.000 litros de água. Ao mês desperdiça 150 metros cúbicos.
As cisternas ou tanques que derramam água perdem 12.000 litros por dia. Ao mês desperdiçam 360 metros cúbicos.
Em reservatórios elevados deteriorados, a perda média é de 10.000 litros ao dia. Ao mês, representam 300 metros cúbicos.
Somando perdas por instalações mal conservadas e maus hábitos, o desperdício relacionado com o consumo doméstico pode ser muito alto se não se adotam medidas corretivas eficientes, tanto nos hábitos como nos processos de manutenção das instalações.
A atividade agrícola é uma grande consumidora de água. Se considera que no mundo se utiliza quase 70% da água dos rios, lagos e aqüíferos, razão pela qual seu potencial desperdício é um dos mais graves.
Em ocasiões, os sistemas de rega desperdiçam grandes quantidades de água. Se calcula que só chegam à zona de cultivos entre 15% e 50% da água que é extraída para irrigação. Se perde água por evaporação, por absorção e por fugas.
A atividade industrial também é uma grande consumidora, especialmente nos países desenvolvidos. O cálculo é de que as indústrias chegam a utilizar entre a metade e 3/4 de toda a água extraída, em comparação com a média mundial que chega somente a 1/4 .
Na indústria há consumos muito elevados em determinados processos produtivos, por exemplo, no caso do aço, se chega a gastar 300 toneladas de água para produzir somente uma tonelada deste metal. Também são grandes consumidoras as indústrias de produtos químicos, polpa e papel, entre outras.
O consumo em muitas ocasiões tem relação com ações de refrigeração ou transporte, pelo qual a indústria tem iniciado revisões de seus processos produtivos para utilizar menos água e reusá-la.
As três categorias correntes de uso de água doce representam as seguintes porcentagens de consumo, com respeito às extrações anuais de água:
Uso em agricultura 69 %
Uso em indústria 23 %
Uso doméstico (pessoal, familiar e municipal) 8 %
É preciso cuidar com esmero como consumimos a água,
quando e como ocorrem as maiores perdas e
como podemos reusar e economizar a água!
A escassez e a crise da água
Quando se considera que a água escasseia? Se afirma que um país tem escassez de água se dispõe de menos de 1.000 metros cúbicos por pessoa ao ano.
Cifras próximas nos indicariam que há uma tensão hídrica; esta existe se se dispõe entre 1.000 e 1.700 metros cúbicos de água por pessoa ao ano. Neste sentido, dois países da Região sofrem tensão hídrica: Haiti e Peru.
Outros países e regiões da América se encontram também em situações complexas com respeito a este valioso recurso. A região do Chaco, por exemplo, compartilhada por Argentina, Bolívia e Paraguai, sofre severos problemas de desertificação. Apesar de contar com dois grandes rios (o Pilcomayo e o Paraguai), a água é um dos recursos mais escassos. A cidade do México enfrenta também sérias dificuldades a respeito da água e se teme que no futuro este seja um problema de grande magnitude. O maior aqüífero dos Estados Unidos, o Ogallala, está empobrecendo a uma taxa impressionante de 12.000 milhões de metros cúbicos ao ano .
A crise mundial de água potável foi o tema central de discussão na Conferência da Água realizada em Bonn (Alemanha) no ano 2001, a qual assistiram ministros e diversas autoridades de 120 países. Esta reunião buscava discutir a forma de superar a crise expressada no fato de que 1,2 bilhõa de pessoas em todo o mundo carecem hoje de água potável.
As projeções para o futuro não são otimistas. Se não forem tomadas medidas adequadas, duas em cada três pessoas no mundo sofrerão escassez de água no ano 2025.
Em 1995, o Haiti tinha apenas 1.544 metros cúbicos por pessoa ao ano. O Peru nesse mesmo ano estava na cifra limite: 1.700 metros cúbicos por ano. As projeções para o ano 2025 são alarmantes para estes dois países, pois poderiam chegar a somente 879 e 1.126 metros cúbicos, respectivamente, de acordo com o provável aumento populacional.
O Informe da Avaliação 2000 nas Américas , preparado pela OPS, apresenta o estado global dos serviços de água potável e esgoto sanitário. Neste documento se estima que a população total da Região (que inclui 48 países ou territórios) soma aproximadamente 790 milhões de pessoas, das quais 73% são população urbana e 27% correspondem à população rural.
Do total da população na Região, 76,5 milhões não têm acesso à água segura e cerca de 53,9 milhões se abastecem através de sistemas definidos como de fácil acesso, que representam na maioria dos casos um risco significativo para a saúde, principalmente para as populações mais vulneráveis.
Nas Américas, o grupo de países composto por Canadá e Estados Unidos se considera que se obteve em certa medida a solução do problema de abastecimento de água potável e esgotamento sanitário. Mas ainda devem enfrentar a renovação da infra-estrutura, ou deterioração dos recursos hídricos e especialmente, o excesso do consumo de água.
Os países da América Latina e Caribe não conseguiram a cobertura total na prestação destes serviços. Também têm sérios problemas de qualidade da água e de proteção dos recursos hídricos, assim como de perdas de água.
Para superar a crise da água, é preciso promover mudanças substanciais em vários aspectos: conter o aumento da demanda de água devido tanto ao aumento da população como ao uso crescente deste recurso por parte da indústria e da agricultura; reduzir os excessos no consumo; melhorar e ampliar os sistemas de abastecimento e reduzir as perdas; gerir as bacias hidrográficas de maneira sustentável; planejar métodos de melhoria dos processos de distribuição, entre outros.
Uma das tarefas centrais que deve ser empreendida em todos os países da Região é a de evitar o desperdício e diminuir o consumo para obter o uso racional de tão valioso recurso.
Pensemos e atuemos sobre:
A disponibilidade, a escassez e o desperdício da água
A comunidade
Estudemos qual é a disponibilidade de água em nossa comunidade. Como a estamos utilizando? Em que ocasiões desperdiçamos a água? Estudemos os diversos momentos nos quais perdemos água e busquemos as alternativas para evitá-los.
As autoridades
Analisemos se a disponibilidade de água na localidade permite um bom abastecimento para todas as atividades de consumo humano, agrícola e industrial. Em que atividade há mais consumo? Se desperdiça? Que medidas podem tomar as autoridades para evitá-lo? Analisemos a situação e as medidas corretivas para evitar a escassez.
Os educadores
Estudemos a disponibilidade de água em nossa região. Há água suficiente no centro educativo? Os membros da comunidade educativa desperdiçam a água? Examinemos a situação conjuntamente e realizemos uma campanha educativa para evitar o desperdício.
Os comunicadores
Identifiquemos os temas básicos referentes à disponibilidade de água na localidade, assim como as causas principais do desperdício. Elaboremos mensagens para alertar a população sobre os problemas derivados da escassez, as circunstâncias nas quais se desperdiça e as alternativas para superar este problema.
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