Do Rio a Johanesburg – Conscientização crescente, reação arrastada

Gary Gardner

Mudança Climática

O que o mundo aprendeu:

Em 1996, o painel científico formado pelas Nações Unidas divulgou que uma “influência humana perceptível” era evidente no clima mundial em transformação. Em 2001, o painel foi mais conclusivo: “a maioria do aquecimento observado durante os últimos 50 anos, provavelmente foi causada pelo aumento das concentrações de gases de estufa.”

Que metas foram estabelecidas:

Na Rio-92, 170 nações concordaram em reduzir voluntariamente as emissões de gases de estufa para os níveis de 1990. Em meados da década, estavam em andamento negociações para reduções obrigatórias nas nações industrializadas, para 6-8% abaixo dos níveis de 1990, culminando com o Protocolo de Kyoto, em 1997. Enquanto isto, o painel climático da ONU declarou que a estabilização do clima exigiria reduções de emissões de 60-80%.

O que aconteceu:

As emissões globais de carbono aumentaram 9%, entre 1992 e 2001. Nos Estados Unidos, cresceram 18%. A retirada dos Estados Unidos do Protocolo, em 2001, e a decisão do Presidente Bush, em 2002, de se valer apenas de medidas voluntárias de eficiência para o controle das emissões, provavelmente resultarão em maiores aumentos das emissões deste país, até 2010.

Perdas de Espécies

O que o mundo aprendeu:

As pesquisas do “Livro Vermelho” da World Conservation Union revelaram em meados da década que 13% dos peixes, 11% dos mamíferos, 10% dos anfíbios, 8% dos répteis e 4% das aves, estavam sob risco imediato de extinção. Perdas de espécies, calculadas em 100 a 1.000 vezes a taxa pré-industrial, levaram biólogos na década de 90 a descreverem a era contemporânea como de extinção em massa, a primeira em 65 milhões de anos. Perturbação dos habitats foi citada como a causa principal dos declínios.

Que metas foram estabelecidas:

Durante a década, 182 países se tornaram partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, uma das maiores conquistas da Rio-92. Estes países se comprometeram a seguir as amplas diretrizes para proteção da biodiversidade e desenvolver estratégias nacionais para tal. Governos nacionais também assumiram compromissos individuais ao longo da década para a proteção de importantes habitats, especialmente florestas.

O que aconteceu:

As duas fontes mais ricas de biodiversidade – florestas e bancos de coral – sofreram danos crescentes nos anos 90. A área florestal, conforme a Organização de Alimentos e Agricultura, contraiu em 2,2% na década (uma estimativa conservadora pois inclui florestas plantadas, precárias em termos de habitat). E a área de bancos de coral considerada como gravemente degradada, aumentou de 10% em 1992 para 27%, em 2000. Enquanto isto, apenas 38% das partes da Convenção de Biodiversidade apresentaram estratégias nacionais de conservação.

Escassez Hídrica

O que o mundo aprendeu:

Legisladores e ativistas começaram a questionar a alta dependência de barragens, canais de irrigação e outros grandes projetos de abastecimento de água. Em seu lugar, os pesquisadores desenvolveram o conceito de gestão hídrica integrada, combinando a atenção à obtenção de suprimento com uma crescente eficiência hídrica, atendendo às necessidades básicas humanas e atribuindo à água seu devido valor cultural, econômico e ambiental.

Que metas foram estabelecidas:

A Agenda 21, o plano de ação que emergiu da Rio-92, juntamente com as declarações das reuniões, em 1994 e 1998, da Comissão das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, recomendaram a adoção de uma gestão hídrica integrada e maior atenção às necessidades hídricas dos pobres.

O que aconteceu:

Os avanços na garantia do acesso à água pura e saneamento foram impressionantes em termos absolutos, porém mal acompanharam o crescimento populacional; mais de 1,1 bilhão de pessoas ainda não dispõem de acesso à água potável. E a água ainda é largamente mal administrada; aqüíferos, por exemplo, estão sendo exauridos nas principais regiões agrícolas, chegando a ponto de colocar em risco a produção sustentada de 10% da oferta mundial de grãos. Um número crescente de rios, incluindo o Amarelo, Indus, Ganges e Colorado, hoje seca em determinadas épocas do ano. E os planejadores hídricos em geral desconsideram valores ambientais, sociais e econômicos no seu planejamento, levando a desperdícios e degradação em larga escala.

Fonte: WWI-Worldwatch Institute / UMA-Universidade Livre da Mata Atlântica,

www.wwiuma.org.br

Doenças Infecciosas

O que o mundo aprendeu:

Boa saúde requer não apenas acesso a tratamento médico, mas também um meio ambiente natural e social robusto. Aproximadamente 80% de todas as doenças nos países em desenvolvimento, por exemplo, advém do consumo de água contaminada. Calcula-se, também, que a poluição atmosférica causa 5% das mortes mundiais, anualmente.

Que metas foram estabelecidas:

As metas da saúde, estabelecidas na Agenda 21, incluem acesso universal à água potável e saneamento, reduções de 50 a 70% de mortes por diarréia, e reduções de 95% nas mortes por sarampo, até 1995.

O que aconteceu:

Mortes causadas por quatro das seis principais doenças infecciosas, inclusive diarréia e sarampo, caíram durante a década, embora muito abaixo dos níveis objetivados. Estes ganhos foram mais do que neutralizados pelo aumento sêxtuplo de mortes pela AIDS. Água e saneamento foram mais disponibilizados, como observado, porém mais de 1,1 bilhão de pessoas ainda não tem acesso à água pura e 2,4 bilhões ao saneamento adequado.

Economias de Uso e Descarte

O que o mundo aprendeu:

O consumo global de metais, minerais, madeira, plástico e outros materiais aumentou cerca de 2,4 vezes, entre 1960 e 1995. A “pegada ecológica,” uma ferramenta conceitual que surgiu em meados da década para fornecer uma medida aproximada do impacto ambiental do consumo de materiais, alimentos e combustível, demonstrou que seria necessário 3 Planetas Terra para sustentar o mundo no nível de consumo americano.

Que metas foram estabelecidas:

Um grupo crescente de pesquisadores propôs estratégias economicamente viáveis de redução do uso de materiais em até 90%, nos países industrializados. Sugestões criativas incluíram a coleta e reutilização de resíduos fabris, desenho de duráveis como copiadoras e automóveis para serem re-fabricados, responsabilizar perpetuamente os fabricantes pelos materiais que enviam para o mundo e, quando possível, atender as necessidades do consumidor com serviços como transporte de massa, ao invés de bens intensivos em materiais, como automóveis.

O que aconteceu:

As taxas de reciclagem aumentaram para descartáveis domésticos em muitos países, porém estagnaram em 30-50% nos países industrializados. Declínios per capta no uso de materiais e em materiais necessários para gerar um dólar do PIB, foram animadores, porém o uso e extração total de materiais virgens continuam a crescer. Em 2001, foi concluído um tratado para eliminar o uso de 10 produtos químicos tóxicos de longa vida, e para reduzir as emissões de dois subprodutos industriais, porém ainda não entrou em vigor.

Não ao fumo

“Proibido Fumar”. Este será o cartaz que se exibirá nos corredores e salões da Cúpula Mundial de Desenvolvimento Sustentável que se realizará em Johannesburg, África do Sul, a partir do próximo dia 26 de agosto. A Organização Mundial da Saúde, OMS, confirmou que durante este encontro mundial será cumprida de maneira rigorosa a lei sul-africana que proíbe fumar em recintos públicos.

Desde 1997, a Organização das Nações Unidas não permite fumar em conferências e cúpulas que organiza e desta vez não será diferente. Um porta-voz das Nações Unidas disse que não teria sentido que em uma reunião dedicada a reduzir a contaminação e a promover a saúde do planeta, não se respeitasse a proibição de intoxicar o ambiente com a fumaça do tabaco.

Fonte: Radipaz

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