ONU diz que água não se regula por lei de mercado

A escassez da água potável é a ameaça mais grave que a humanidade já enfrentou segundo o especialista Hadji Guissé, autor de um estudo apresentado na última semana de julho, em Genebra, onde se realizam as conversações sobre novos acordos comerciais mundiais. Guissé analisou principalmente o direito das populações menos favorecidas ao acesso à água e as implicações da falta do produto para a manutenção da saúde e da própria vida.

Ele argumenta que se uma pessoa humana perder cerca de 10% da água do organismo (cujo percentual fica entre 50 e 65% em adultos e vai a mais de 70% em recém-nascidos) corre risco de vida. Com base nestes e outros dados mostrando a falta de água potável, especialmente nas nações mais pobres, e na defesa de que sejam proporcionadas condições de acesso a mais de 1,4 bilhão de pessoas sem abastecimento regular e de qualidade e aos mais de 4 bilhões sem serviços de esgoto a ONU considera que seria prejudicial deixar esse insumo ser regulado apenas pelas leis do mercado.

Além de todos os problemas de poluição e degradação dos principais mananciais hídricos do mundo o especialista alerta para o avanço, em todas as regiões do mundo, mas especialmente na África, da desertificação.

A expansão da fronteira agrícola é citada como outro agravante, uma vez que para cada quilo de cereal produzido são consumidos no mínimo 1.000 litros de água. Os números divergem mas as estimativas indicam que a agroindústria é responsável por pelo menos 70% do consumo mundial de água, ficando a indústria tradicional com outros 20%.

Guissé considera que a privatização dos serviços de água e esgoto, especialmente em países subdesenvolvidos da África, vem contribuindo para aumentar o grau de pobreza dessas populações. Ele defende que a fixação das tarifas leve em conta a capacidade de pagamento dos usuários.

Este estudo está no centro da polêmica em torno da abertura total dos mercados dos serviços de saneamento, defendida por muitas das nações participantes da OMC. Até 2004 deverão estar concluídas as novas regulações sobre o comércio internacional.

Biossólidos

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp – está desenvolvendo mais um projeto de aproveitamento do lodo gerado no processo de tratamento de esgotos, denominado biossólido, como adubo para o cultivo de banana nanica e palmito. A ETE – Estação de Tratamento de Esgotos de Franca foi a primeira a receber o registro de “Estabelecimento Produtor de Insumo Agrícola”, do Ministério da Agricultura e do Abastecimento.

O Projeto de Uso Agrícola de Biossólido das Estações de Mongaguá e Bertioga está sendo desenvolvido em parceria com o IAC – Instituto Agrícola de Campinas, nas fazendas experimentais de Pariquera-Açu, no Vale do Ribeira, e de Ubatuba, no Litoral Norte.

(Fonte: Sabesp)

Corsan separa sistema com Comusa

A Companhia Riograndense de Saneamento – (Corsan) deu início às obras de ampliação do sistema de abastecimento de água na região do Vale dos Sinos. A primeira etapa do projeto, com investimento de R$ 3,6 milhões, prevê a implantação de uma adutora de água tratada que vai interligar a Estação de Tratamento de Água (ETA) de Campo Bom ao sistema de abastecimento de água de Estância Velha e Portão, hoje atrelados ao sistema de Novo Hamburgo.

A adutora, com 16 quilômetros de extensão, localizada na RS-239, deve estar concluída dentro de seis meses beneficiando a população destas três localidades, que totalizam cerca de 100 mil usuários da Corsan.

Com este investimento, a Corsan torna o sistema de abastecimento de água

de Estância Velha e Portão independente do sistema da Companhia

Municipal de Saneamento (Comusa) de Novo Hamburgo – que assumiu o serviço

de saneamento da região em dezembro de 1998 -, evitando ocasionais

problemas de abastecimento de água, oriundos de intervenções técnicas

naquele município. Atualmente, a água que chega à Estância Velha e Portão é captada no Rio dos Sinos, em Novo Hamburgo, através de um complexo sistema de bombeamento e distribuição, ocasionando, eventualmente, problemas de abastecimento na localidade.

A segunda etapa prevê a implantação de estações de bombeamento – em fase final de licitação – construção de reservatório de 1,5 mil metros cúbicos – em execução -, e ampliação da ETA de Campo Bom – de 580 litros por segundo para 1,5 mil litros por segundo – beneficiando, nesta fase, o município de Sapiranga, com 70 mil habitantes.

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