
Genebra, Suíça – A humanidade está usando 20% a mais de recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. Com isso, está avançando sobre os estoques naturais da Terra, comprometendo as gerações atuais e futuras. Se não aumentar a eficiência na produção de alimentos e bens de consumo, o que reduziria a demanda por recursos, poderá haver uma queda dramática na qualidade de vida e no produto da economia mundial a partir de 2030, segundo o Relatório Planeta Vivo 2002, elaborado pelo WWF e lançado no dia 09/07 em Genebra.
De acordo com o relatório o planeta tem 11,4 bilhões de hectares de terra e espaço marinho produtivos – ou 1,9 hectares de área produtiva per capita. Mas a humanidade está usando o equivalente a 13,7 bilhões de hectares para produzir os grãos, peixes e crustáceos, carne e derivados, água e energia que consome. Cada um dos 6 bilhões de habitantes da Terra, portanto, usa uma área de 2,3 hectares. Essa área é a Pegada Ecológica de cada um.
O Índice Planeta Vivo (IPV), outro importante indicador do relatório, usado para medir a qualidade ambiental, mostra que a pressão de consumo atual é insustentável. O índice é baseado nas tendências populacionais de centenas de espécies de pássaros, mamíferos, répteis, anfíbios, peixes e florestais. Nos últimos 30 anos, o IPV caiu 37%. O declínio das espécies de água doce tem sido particularmente dramático: em uma amostra de 195 espécies pesquisadas, houve uma queda média de 54% nas populações. Em 217 espécies marinhas, as populações diminuíram em média 35%. Entre as espécies florestais, em 282 analisadas houve um declínio médio de 15%.
O fator de maior peso na composição da Pegada Ecológica hoje é a energia, sobretudo nos países mais desenvolvidos. “O consumo de energia sozinho é responsável por mais da metade do impacto. Não vamos conseguir reduzir a Pegada Ecológica se o uso da energia não se tornar mais eficiente”, avalia o dr. Garo Batmanian, secretário-geral do WWF-Brasil. “Os países ricos precisam fazer a transição para sistemas de energia mais eficientes. Ao mesmo tempo, a geração e transferência de tecnologia são fundamentais para que os países menos desenvolvidos cresçam já usando sistemas de energia eficientes, sem aumentar o dano ambiental.”
O WWF acredita que os governantes reunidos em Johannesburgo podem reverter algumas das tendências negativas e colocar a humanidade no caminho do desenvolvimento sustentável se abordarem assuntos cruciais, entre eles o consumo de energia. É preciso susbtituir os combustíveis fósseis, promover tecnologias, edificações e sistemas de transporte eficientes em termos de uso de energia e encorajar o consumo eqüitativo e sustentável. Em paralelo, é preciso conservar e restaurar os ecossistemas para manter sua diversidade e produtividade biológica.
“O fato de vivermos em um planeta abundante, mas não sem limites, é um desafio claro para os líderes mundiais que participarão da Cúpula Mundial de Desenvolvimento Sustentável”, diz o dr. Claude Martin, diretor-geral do WWF-Internacional. “Assegurar o acesso aos recursos básicos e melhorar a saúde e a renda das populações mais pobres do mundo são questões que não podem ser separadas da manutenção da integridade dos ecossistemas naturais. A menos que asseguremos a saúde dos ecossistemas, nunca seremos capazes de garantir um padrão de vida aceitável para a maior parte da população mundial.”
Crianças em Johannesburgo
Analiz Vergara, uma menima equatoriana de 13 anos e Justin Friesen, um menino canadense de 11 anos, foram eleitos entre mais de 400 delegados de 88 países do mundo para representar as crianças na próxima Cúpula da Terra.
A eleição aconteceu durante a Conferência Internacional das Crianças sobre Ambiente (Canadá, 21 a 25 de maio) organizada pelo PNUMA em resposta à incumbência que receberam os governos na Rio 92 de recopilar as opiniões e expectativas das crianças sobre o ambiente do planeta.
Analiz e Justin apresentaram os desafios que as crianças prepararam durante a mencionada Conferência diante dos governantes de mais de 170 países ou seus representantes na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorrerá de 26 de agosto a 4 de setembro, na África do Sul.
Entre os 50 desafios estão:
ratificar o Protocolo de Quioto;
perdão da dívida dos países em desenvolvimento;
eliminar impostos sobre produtos ecológicos;
redesenho do uso de combustíveis;
“Queremos ar e água limpa para todos, estes são direitos humanos básicos, não privilégios” (Analiz Vergara)
Para maior informação e obter o documento completo com os desafios : veronica.benitez@sur.iucn.org
Pegada ecológica
A Pegada Ecológica de 2,3 hectares é uma média. Há grandes diferenças entre as nações mais e menos desenvolvidas, como mostra o Relatório Planeta Vivo, que calcula a Pegada de 146 países com população acima de um milhão de habitantes. Os dados mais recentes (de 1999) mostram que enquanto a Pegada média do consumidor da África e da Ásia não chega a 1,4 hectares por pessoa, a do consumidor da Europa Ocidental é de cerca de 5,0 hectares e a dos norte-americanos de 9,6 hectares.
A Pegada brasileira é de 2,3 hectares – na média mundial mas cerca de 20% acima da capacidade biológica produtiva do planeta.

Brasil
No ranking de Pegadas Ecológicas, os países que causam maior impacto estão no topo. O Brasil aparece em 55º lugar, entre os 146 países comparados. O relatório também traz rankings por categorias. Nelas o Brasil está:
– em 7º em área de pastagens
– em 55º em área destinada à produção de grãos
– em 24º em áreas de florestas (destinadas à extração de madeira e derivados)
– em 78º em área destinada à pesca.
A péssima colocação em área de pastagens deve-se à baixa produtividade dos pastos brasileiros. Em uso de áreas de floresta e pesca, o Brasil está dentro dos limites da sua capacidade de reposição. “Se manejarmos sustentavelmente, podemos até crescer nessas duas áreas, mas teremos de aumentar a eficiência em outros itens, principalmente pastagens, para diminuir o tamanho da nossa Pegada, que está acima da capacidade de reposição da Terra”, diz o dr. Batmanian.
Fonte:
Este material e a íntegra do relatório (em inglês) estão disponíveis na Internet no endereço http://www.wwf.org.br
Sea Sheperd persegue barco
O navio Farley Mowat, da Sea Shepherd, encontra-se em Galápagos na procura do barco costa-riquenho Maria Canella II. Este barco tinha 1.044 barbatanas de tubarões a bordo e estava pescando ilegalmente nos limites do Parque Nacional de Galápagos. Este navio foi considerado criminoso pelo governo equatoriano em 21 de outubro de 2001 e foi pedida sua apreensão ao governo da Costa Rica. Seus proprietários apelaram à decisão e ele ficou ancorado no Porto Avora esperando o resultado da apelação. Ao anoitecer do dia 30 de maio de 2002, os donos da embarcação criminosa, com a ajuda dos pescadores locais, tomaram-no ilegalmente do porto.
O Parque Nacional de Galápagos está oferecendo uma recompensa de U$10.000,00 (dez mil dólares) por informações que levem à recaptura do pesqueiro costa-riquenho Maria Canela II. A Sea Shepherd contribui com mais U$2.000,00 (dois mil dólares) para a recompensa.

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