A contaminação ambiental aumenta o número de doenças, incluindo diarréia e infecções respiratórias agudas – duas das principais causas de mortalidade infantil – alerta o documento “Children in the New Millennium: Environmental Impact on Health.”/ “Crianças no Novo Milênio: Impacto Ambiental na Saúde”.
O estudo registra que milhares de crianças continuam a morrer todos os dias de doenças relacionadas à poluição, apesar das melhorias feitas nos últimos 10 anos, tanto no bem-estar das crianças como do ambiente. “Tivemos grandes avanços na última década”, diz Carol Bellamy, diretora executiva do UN Children´s Fund (UNICEF).
“Crianças estão mais saudáveis hoje. Há mais acesso à água limpa. Mas esses números perturbadores mostram que nós ainda nem tocamos alguns dos principais problemas”, adiciona. “Muito mais crianças estão morrendo de doenças que podem ser prevenidas através do acesso à água limpa e saneamento.”
O documento, de 140 páginas, foi produzido pela UNICEF, o UN Environment Programme (UNEP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Foi publicado em conjunto com a Assembléia Geral das Nações Unidas, sessão especial de três dias sobre crianças, que aconteceu em Nova York no mês de maio. A conferência, com mais de 60 chefes de estado ou governos e 170 delegações nacionais, objetiva colocar as crianças no topo da agenda mundial e buscar mais investimento em serviços sociais essenciais para elas.
Uma das principais metas é aumentar o acesso doméstico a instalações de saneamento e higiene e água potável, segura e a preço compatível. O documento das Nações Unidas identifica alguns problemas ambientais que afetam diretamente as crianças, tais como altos níveis de tóxicos químicos e a degradação e depredação dos recursos naturais. Por exemplo, contaminação por chumbo no ambiente – muito dele vindo da gasolina – causa permanentes desordens neurológicas e de desenvolvimento nas crianças. Milhões de crianças trabalham na agricultura, o que as coloca em alto risco de envenenamento por pesticidas. Crianças são também desproporcionalmente vulneráveis a problemas ambientais globais, tais como o impacto de mudanças climáticas, a depredação da camada de ozônio e a perda da diversidade biológica do planeta, alerta o documento.
De acordo com OMS quase um terço das causas das doenças globais podem ser atribuídas a fatores de risco ambiental. Mais de 40% dessas causas recaem sobre crianças com menos de 5 anos de idade, constituindo-se esse grupo 10% da população mundial.
Um contribuinte principal para essas doenças é a desnutrição, que afeta cerca de 150 milhões de crianças e mina seu sistema imunológico. A desnutrição e a diarréia formam um círculo vicioso. Os organismos que causam a diarréia danificam as paredes do sistema digestivo das crianças, dificultando a absorção dos alimentos, causando ainda maior desnutrição – e consequentemente vulnerabilidade a doenças.
“As pessoas são mais vulneráveis em seus primeiros anos de vida”, diz o diretor geral da OMS, Dr. Gro Harlem Brundtland. “Isso significa que crianças precisam estar no centro de nossa resposta à falta de saúde ambiental.”
O documento afirma que o público tem pouca consciência da vulnerabilidade especial das crianças aos riscos da saúde ambiental. Klaus Töpfer, diretor executivo da UNEP, fez um pedido à ação internacional para elevar a conscientização sobre o problema. “Estou convencido de que precisamos priorizar as questões de saúde ambiental das crianças na agenda internacional, tanto através de sessões especiais da Assembléia Geral sobre crianças quanto na Cúpula Mundial de Desenvolvimento Sustentável”, diz Töpfer. “Precisamos reconhecer que respeitar os direitos das crianças e manejar os desafios ambientais são metas que mutualmente se reforçam.”
O documento pede o aumento de investimento nacional em cuidados com crianças recém-nascidas, incluindo a atenção nos ambientes circundantes das crianças, como casas, escolas e comunidades. Um notável sucesso em muitos países é a transição para combustível sem chumbo, que ajuda a eliminar o chumbo do ambiente. Töpfer acrescenta que espera que o novo estudo “inspire cada um que se importa com as crianças a buscar ações que melhorem tanto sua saúde quanto a do ambiente natural”.
Texto original: http://ens-news.com/ens/may2002/2002L-05-10-06.html
Tradução: Maria do Carmo Zinato – mariacz@ces.fau.edu
Campanha
O convite é da Rede das Águas: ajude a defender os mananciais da região metropolitana de São Paulo e a evitar que a nova lei aprovada na Assembléia Legislativa – que pode incentivar ocupações e condenar à morte os mananciais – possa gerar um efeito cascata caso venha a ser copiada por outros estados. Clique no banner ao lado para enviar um e-mail ao Governador de São Paulo que pode VETAR a emenda apresentada pelo deputado estadual Ricardo Tripoli.
Maiores informações a respeito do projeto também estão disponíveis no Rede das Águas. Ainda há tempo para ajudar a salvar os nossos mananciais . Participe.
Abraço
O Dia da Lagoa do Teobaldo foi comemorado em grande estilo pelos ambientalistas mineiros. Esse manancial pertence ao município de Antônio Dias (MG) e se localiza a uma altitude aproximada de 900 metros, ocupando uma área de 40 ha. O local é de rara beleza e apresenta grande potencialidade para o ecoturismo. Durante as comemorações aproximadamente 200 pessoas participaram de uma celebração com o tema “Água é vida”, de um abraço simbólico na lagoa e um show com violeiros e sanfoneiros da região. A manifestação contou a participação de moradores locais, cavaleiros, trayeiros, jipeiros, alunos do curso de Análise Ambiental da Funcesi (Itabira).
Químicos
Desde os anos 70, a incidência de câncer infantil, problemas de aprendizagem, autismo, diabetes, puberdade precoce e desenvolvimento anormal do pênis é assustadora. Evidências continuam a se somar estabelecendo relação entre essas desordens e a exposição a químicos que afetam hormônios. “O que preocupa principalmente é que as crianças são expostas a esses químicos no útero ou logo após o nascimento: períodos de rápido desenvolvimento”, diz Dr. Theo Colborn, diretor do program de contaminantes e vida selvagem do World Wildlife Fund.
A deputada Louise Slaughter, uma democrata de Nova York, foi relatora do Hormone Disruption Research Act of 2002, que autorizou mais de US$ 500 milhões para o National Institute of Environmental Health Sciences (NIEHS) para conduzir 5 anos de pesquisa sobre disrupção hormonal. NIEHS também deverá produzir relatórios públicos sobre a extensão na qual os químicos causadores de perturbações hormonais são uma ameaça à saúde humana e ambiental.
“Essa legislação já vem tarde. Nenhum químico que é usado hoje foi adequadamente testado por sua capacidade de afetar negativamente a constituição dos corpos e cérebros das crianças,” diz Dr. Colborn. “Há uma necessidade urgente de apoiar pesquisas inovadoras desenhadas para identificar os prejuízos que a toxicologia tradicional omitiu”.
Comitês
O Fundo Estadual de Recursos Hídricos do RGS assinou oito novos convênios para repasse de recursos a Comitês de Gerenciamento de Bacias Hidrográficas. São
R$ 50 mil anuais para cada Comitê parta manutenção das secretarias executivas. Foram assinados quatro termos aditivos para os Comitês Taquari-Antas, Lago Guaíba, Tramandaí e Vacacaí-Vacacaí Mirim e se firmaram outros quatro convênios para os recém instalados Comitês Baixo Jacuí, Alto Jacuí, Ijuí e Turvo-Santa Rosa – Santo Cristo. Atualmente o Estado conta com 16 Comitês de Bacias instalados, sendo que entre eles um aguarda a eleição da diretoria. Conforme o diretor do Departamento de Recursos Hídricos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), Volney Zanardi Júnior, os valores servem de sustentação aos Comitês enquanto o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SEGRH) ainda não está totalmente implementado.
São Francisco
A mensagem é do Zé do Pedal: “Depois de 90 dias terminei a viagem pelo Rio São Francisco… Foram momentos inesquecíveis que estarão para sempre gravados em minha memória… Saudades dos barranqueiros, fiéis guardiões do Velho Chico… Saudades do pôr-do-sol, do amanhecer fantástico, da exuberante beleza da natureza…
E lembrar com tristeza o completo descaso de nossas autoridades com o Rio da Integração Nacional. A todos vocês, minha gratidão e agradecimento”.
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