Uma Gota Ecológica

Geol. Jorge Amorim

Eu quero ver o mar !!!!

Esse era o maior desejo de uma gotinha de chuva que por ironia do destino tinha caído a mais de 500 km da costa. Com a ajuda de outra gotinha, se juntaram a uma pequena nascente lá no alto da Serra do Sincorá e iniciaram a sua viagem.

-Ôoopa não sabia que o mar era tão baixo, estamos descendo bem rápido e é divertido.

– É porque estamos a cerca de 1.000 metros acima do nível do mar, na Chapada Diamantina, veja o verde da vegetação. Pessoas de todo o mundo vêm conhecer este local. Mas elas devem ter a consciência de preservar os locais visitados, veja aquele jovem, está jogando uma lata de cerveja no mato, e tirando pedaços de estalactite que a natureza levou anos para construir !

Indignadas, nossas amigas continuaram o seu percurso por mais um trecho, quando…

Resignadas, as duas gotinhas se aproximaram da barragem, e aproveitando a vazão defluente, desceram pelo vertedouro e seguiram viagem em direção ao mar. – Minha amiga, eu tomei uma decisão, quando chegar no mar e me deliciar por uns dias, vou entrar novamente no Ciclo Hidrológico e refazer esta viagem, lutando desde a cabeceira até aqui pela preservação deste rio maravilhoso, mas, finalmente, que rio é este?

Depois de algumas horas de viagem nossa amiga gotinha olhou para as margens e disse:

– Onde está aquela paisagem verde ? só estou vendo pedras e vegetação seca? – É que agora estamos numa região chamada de Pedplano Sertanejo, com clima árido, e vegetação de caatingas, observe que os riachos estão todos secos, são intermitentes.E assim a viagem continuou por mais dois dias, quando de repente …

– Ôba estou no mar! Não dizem que o mar é salgado ? Mas não sinto o gosto de sal.- Aqui não é o mar e sim o reservatório de uma grande barragem. Porém, observe que nas suas margens não existem grandes matas e árvores, só pastagens, isso decorre da existência de muitas casas construídas nas margens, os esgotos domésticos aliados ao uso dos defensivos agrícolas e fertilizantes utilizados nas plantações, como também o desmatamento, tudo isto degrada o ambiente e a qualidade das águas represadas.Resignadas, as duas gotinhas se aproximaram da barragem, e aproveitando a vazão defluente, desceram pelo vertedouro e seguiram viagem em direção ao mar. – Minha amiga, eu tomei uma decisão, quando chegar no mar e me deliciar por uns dias, vou entrar novamente no Ciclo Hidrológico e refazer esta viagem, lutando desde a cabeceira até aqui pela preservação deste rio maravilhoso, mas, finalmente, que rio é este?

Irrigação

– O que é aquele barulho ali nas margens? E porque aquelas pessoas estão discutindo ?

– Aquilo são bombas que captam água para irrigação e para o abastecimento humano; essa é uma região de muitos conflitos pelo uso da água.

– Eu acho que elas deveriam era estudar a maneira mais racional para manter e conservar as condições das nascentes, margens e matas ciliares deste manancial, só assim futuramente, vão ter disponível água com quantidade e qualidade adequada aos diversos usos.

O mais baianos dos rios

– Este é o Rio Paraguaçu, o maior e o mais baiano de todos os rios. Assim como ao longo do seu percurso, desde a nascente, ele atravessa vários tipos de climas, de rochas e de vegetações, Desde o tempo do descobrimento este rio também já foi palco de ciclos de riqueza e pobreza, de descobertas traduzidas em cidades históricas, heróis e vilões, e, principalmente, é muito rico em histórias e estórias, destas últimas tem uma, principalmente, que sempre fascinou a todos, a da Pedra do Cavalo.

Rio Paraguaçu

O Rio Paraguaçu nasce no Morro do Ouro, na Serra Cocal, no município de Barra da Estiva, na Chapada Diamantina, cortando vários municípios. O termo Paraguaçu é de origem indígena e significa água grande, mar grande, grande rio. Trata-se do maior rio genuinamente baiano.

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