
O grande volume de chuvas nas cabeceiras dos rios e na planície pantaneira, que ocorreram no final de 2001, criou expectativa de uma “supercheia” no Pantanal em 2002. Entretanto, a diminuição das chuvas no início de 2002 e principalmente o fato do Pantanal ter passado por anos anteriores consecutivos de cheias pequenas e até mesmo de seca, estão indicando que em 2002, a cheia no Pantanal deverá ser normal.
De acordo com o Serviço de Sinalização Náutica do Oeste do 6º Distrito Naval da Marinha do Brasil, os níveis atuais (11/03/2002) do rio Paraguai, em Cáceres-MT, é de 5,07 m, e em Ladário-MS, é de 3,16 m.
O pesquisador Sérgio Galdino, da área de Hidrologia da Embrapa Pantanal, que vem estudando as cheias do Pantanal desde 1994, informa que o nível atual do rio Paraguai, em Ladário, já é maior que o pico da cheia do ano passado, quando o nível máximo foi de apenas 3,15 m, ocorrido no dia 25 de junho.
Cheias pequenas
Além do regime de chuvas na bacia do alto Paraguai, outro fator importante para Galdino, que pode explicar o comportamento da cheia de 2002, foi a ocorrência de cheias pequenas em 1998, 1999 e 2000, quando o nível máximo não passou de 4,66 m, e principalmente da seca ocorrida no ano passado, quando o pico de cheia foi de apenas 3,15 m e o nível mínimo de 90 cm. Ressaltando que a seca de 2001 foi a maior dos últimos 27 anos. Em 1973, o pico da cheia tinha sido de 2,09 m. A menor cheia de 1974 a 2000, ocorreu em 1994, quando o nível máximo foi de 3,94 m. Galdino, explica que essa seqüência de anos de cheias pequenas (1998 a 2000) e de seca em 2001, fez com que os corpos d’água (baías, corixos e vazantes) adjacentes ao rio Paraguai, reduzissem consideravelmente seu volumes de água. Assim, a onda de cheia está se propagando mais lentamente ao longo do rio Paraguai no Pantanal, à medida que repõem o volume d’água dessas baías e canais.
Cheia normal
Todas essas informações praticamente confirmam a ocorrência de uma cheia normal no Pantanal, em 2002. Galdino no entanto, ressalta que a ocorrência de uma cheia normal, também implica em impactos sócio-econômicos para a região. Em 1996 e 1997, anos de cheia normal, de acordo com informações divulgadas na mídia, houve necessidade de movimentação de 100.000 cabeças de gado e a água inundou residências da população de Corumbá que moram nos locais mais baixos da cidade.
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